terça-feira, 24 de março de 2009

Fonte texto de Roberto Pereira/PAP/CEDUS


Repassando, materia postada por Roberto Pereira /FAP/CEDUS

"No meio do caminho há um bacilo, há um bacilo no meio do caminho"

A tuberculose (TB) é uma das enfermidades mais antigas do mundo. Mas não é uma doença do passado como muitos imaginam. Segundo estimativas da OMS, dois bilhões de pessoas, o que corresponde a um terço da população mundial, está infectada pelo Mycobacterium tuberculosis. Destes 8 milhões, desenvolverão a doença e 2 milhões morrerão a cada ano.

O Brasil ocupa o 16º entre os 22 países responsáveis por 80% do total de casos de tuberculose no mundo. Aproximadamente 10% dos pacientes com TB são também co-infectados pelo HIV, e a TB é a principal causa de morte de pacientes com Aids.

Estima-se uma prevalência de 50 milhões de infectados com cerca de 80.000 casos novos e uma alta taxa de 5.000 óbitos ocorrendo anualmente. A alta taxa de mortalidade por tuberculose uma doença que tem cura, esta associada ao diagnóstico tardio ou assistência de má qualidade

O Rio de Janeiro se destaca no quadro nacional por apresentar, historicamente, um das maiores incidências de tuberculose do país (90 / 100.000 habitantes). Anualmente são registrados 17 mil novos casos no estado, o que representa 20% das notificações no Brasil. Estima-se que 20% dos doentes não são diagnosticados, mantendo a cadeia de transmissão, e muitos casos somente são descobertos após a internação ou óbito. Além disso, por falta de informação e acompanhamento adequado, cerca de a 25% dos doentes abandonam o tratamento Na Rocinha, por exemplo, uma das áreas mais afetadas do município do Rio, seriam 50 casos novos por mês. Situação parecida vivem outras comunidades empobrecidas onde os determinantes sociais são decisivos na configuração desse quadro.

A cada dia a tuberculose continua a avançar de forma devastadora principalmente nos segmentos mais vulneráveis da população, crescendo acentuadamente nas periferias, nos bolsões de pobreza, entre a população de rua, encarcerados e pessoas vivendo com o HIV/AIDS.

Essa situação deve-se a fatores como: desigualdade social, concentração populacional e processo de urbanização desordenado, as más condições de vida das camadas mais pobres da população, além da desestruturação dos serviços públicos de saúde.

Em virtude da falta de informação, muitas pessoas não reconhecem os sintomas da doença, não procuram o serviço de saúde para o diagnóstico, e por falta de acompanhamento adequado abandonam o tratamento precocemente, contribuindo para a disseminação da doença e para que ela se torne mais resistente aos medicamentos. Ou seja, a falta de informação sobre a doença e a dificuldade de acesso a serviços de saúde contribuem para que a doença se alastre e, em muitos casos, torne-se fatal.

Uma grande parte dos doentes não são diagnosticados, mantendo a cadeia de transmissão, e muitos casos somente são descobertos após a internação nos hospitais de emergência ou óbito.
A situação é calamitosa em nosso estado/município, no que tange à questão dos TB-MRs, sobretudo, nos seguintes pontos: demora inadmissível dos resultados de testes de sensibilidade (muitos resultados chegam bem depois do término do tratamento); falta de apoiamento social adequado para estes pacientes, muitos deles em uso de esquemas falidos, mantendo, portanto, positividade do escarro e sem condições laborativas (seja por necessidade de biossegurança, seja por más condições clínicas).

Um dos problemas mais alarmantes relacionados à tuberculose é a co-infecção tuberculose-Aids, a tuberculose tem sido a primeira causa de óbitos em pessoas vivendo com HIV/Aids.
Parodiando Carlos Drummond de Andrade

"No meio do caminho há um bacilo, há um bacilo no meio do caminho"
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24 de março
Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose
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