quinta-feira, 23 de julho de 2009

TV mostra tratamento da saúde mental no Brasil

TV mostra tratamento da saúde mental no Brasil
Programa especial reúne casos e meios de atendimento psiquiátrico, revelando que, nos últimos 20 anos, 70% dos leitos destinados a pacientes com doença mental foram fechados


Pacientes do Hospital Pronto Atendimento Psiquiátrico, no Distrito Federal, participam do programa (foto, em preto e branco, com pessoas atrás de uma tela de arame vestidas com roupas hospitalares brancas - informe para pessoas cegas - Def\Net)


O programa Inclusão, da TV Senado, apresenta neste fim de semana reportagem especial sobre transtorno mental, uma continuação do programa levado ao ar em abril sobre a incidência do problema em crianças e adolescentes. Estima-se que o país tenha hoje 17 milhões de pessoas com algum tipo de transtorno mental.

O especial mostra iniciativas voltadas para o tratamento dos diferentes transtornos, sendo que, no Brasil, os casos mais comuns são os de esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo e depressão. Do total de doentes, 12% apresentam problemas psiquiátricos graves e necessitam de atendimento contínuo.

A diretora e apresentadora do Inclusão, Solange Calmon, reuniu exemplos desses tratamentos, como o trabalho da médica Nise da Silveira – que nas décadas de 1950 e 1960 revolucionou a psiquiatria ao substituir os tratamentos de choque; o programa De Volta pra Casa, do Ministério da Saúde, que oferece uma bolsa para egressos de longas internações; o Instituto de Saúde Mental, do Distrito Federal; e o Museu da Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro.

O Inclusão aborda ainda outras ações governamentais, como os centros de atenção psicossocial (Caps), previstos na lei da reforma psiquiátrica em vigor desde 2001. Mostra também a carência desses serviços: hoje, dos 1.394 centros existentes no Brasil, apenas 40 unidades têm capacidade para internar pacientes em crise.

Além disso, o programa registra que, nos últimos 20 anos, quase 70% dos leitos psiquiátricos do país foram fechados – segundo o Ministério da Saúde, o atendimento à saúde mental conta com apenas 2% do orçamento anual do Sistema Único de Saúde (SUS).

A programação completa da TV Senado pode ser acessada pela página da emissora na internet (www.senado.gov.br/tv). A emissora também está no Twitter, com o endereço http://twitter.com/tvsenado.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Produção e consumo de cocaína registra redução mundial

Produção e consumo de cocaína registra redução mundial

Da France Presse

VIENA, Áustria, 24 Jun 2009 (AFP) - A produção e o consumo de heroína, cocaína e maconha tendem a uma redução no mundo, enquanto que o ecstasy e as drogas sintéticas proliferam nos países em desenvolvimento, assinala um relatório anual do Agência das Nações Unidas contra a Droga e o Delito (ONUDC) publicado nesta quarta-feira.



"Os mercados mundiais de cocaína, opiáceos e maconha estão estabilizados ou em declive, mas se teme uma alta da produção e da utilização de drogas sintéticas nos países em desenvolvimento", alerta a ONUDC.



Dessa forma, o cultivo de ópio caiu no ano passado ao nível de 2006, graças a um retrocesso de 19% das superfícies cultivadas na Afeganistão, país que produz 93% do ópio do mundo. Isso se traduz, por causa do aumento do rendimento, numa baixa de 6% da produção, ou 7,7 milhões de toneladas.



Do mesmo modo, a produção mundial de cocaína caiu ao menor nível em cinco anos graças, principalmente, a uma redução de 18% das superfícies cultivadas e de 28% da produção efetiva na Colômbia, produtor da metade da cocaína em circulação no mundo.



"Os níveis de pureza e de apreensão diminuem nos principais países consumidores (América do Norte e a Europa), os preços aumentam", destacou o diretor executivo da ONUDC, Antonio María Costa, acrescentando que os cartéis da droga enfrentam um mercado que se reduz na América Central.



O consumo de cocaína, cujo mercado mundial está avaliado em 70 bilhões de dólares, tende a diminuir na América do Norte e se estabilizou pela primeira vez na Europa Ocidental.



No que diz respeito à maconha, o entorpecente mais consumido no mundo, a produção e o consumo de estabilizaram, mas cresce a concentração de THC, sua substância ativa.



O mais preocupante, assinala o informe, é que a produção de drogas sintéticas entrou num nível industrial na região do Mekong, sudeste asiático, de cujos laboratórios saem grandes quantidades de metanfetaminas, cristal meth e outras substâncias como a quetamina.



A agência calcula em 41% o volume de cocaína apreendida no mundo para 19% de opiáceos. Na liderança estão o Irã, importante país de trânsito com 84% das apreensões mundiais de ópio e 28% da heroína em 2007, segundo as mais recentes cifars da ONUDC.



Reconhecendo que a intensificação da repressão do mercado da droga "gerou um mercado ilícito de amplitude macroeconômica que recorre à violência e alimenta a corrupção", Antonio María Costa adverte contra qualquer legalização destas substâncias, por considerar que isto seria "um erro histórico".



"As drogas representam um perigo para a saúde. Por esse motivo, estão e devem continuar sendo proibidas", enfatizou, acrescentando que é preciso lutar em primeiro lugar contra os traficantes e não contra os consumidores.



"As pessoas que consomem droga precisam de uma ajuda médica e não um tratamento penal", declarou Costa, acrescentando que a prisão dos dependentes representa, para a polícia, um desperdício de dinheiro em detrimento da luta contra os traficantes.



phs/cn/fp

sábado, 20 de junho de 2009

Jovens de 15 a 24 anos têm comportamento mais seguro

Jovens de 15 a 24 anos têm comportamento mais seguro
Jornal do Brasil


RIO DE JANEIRO - Os jovens estão mais atentos em relação ao uso do preservativo. Entre aqueles que têm de 15 a 24 anos, 64,6% usaram preservativo na primeira relação sexual, enquanto na população de 15 a 64 anos, menos da metade das pessoas (46,5%) fazem uso do preservativo em todas as relações sexuais.

Na primeira relação sexual entre os jovens de 15 a 24 anos, o uso do preservativo varia de quase 70%, no Sul; a 52%, no Nordeste. No Sudeste, o índice é de 64,6%; no Centro-Oeste, de 64,4%; e no Norte, de 56,1%.

Os jovens de 15 a 24 anos de idade demonstram mais atitude em relação às doenças sexualmente transmissíveis. Eles têm comportamento mais seguro quando comparados às outras faixas etárias, usando mais o preservativo em todas as situações. Na última relação sexual com parceiros casuais, por exemplo, 68% deles usaram preservativo, enquanto entre os maiores de 50 anos, a proporção não chega a 38%.

Parceiros fixos

Com parceiros fixos, 30,7% dos jovens costumam fazer uso da camisinha. Entre aqueles de 25 a 49 anos, só 16,6% adotam a mesma prática. Acima de 50 anos, o percentual cai para 10%. Isso pode ser um reflexo das campanhas dirigidas para o público e do envolvimento das escolas nas atividades de prevenção às DST e Aids.

– A relação do jovem com o preservativo é mais habitual – avalia Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde.

De acordo com a diretora, o problema é que, quando se estabelece a confiança entre eles, o uso do preservativo deixa de ser prioridade, em especial, para as meninas.

Serviço público

O acesso a camisinha é mais um avanço apontado pela pesquisa. Os jovens são os que mais pegam preservativos nos serviços de saúde (37,5%). Entre aqueles que têm de 25 a 49 anos, o percentual é de 27% e, acima dos 50 anos, de 10,7%. Além disso, existe um considerável número de jovens (17%) que retiram o preservativo em suas escolas.

Em 2003, os ministérios da Saúde e da Educação implantaram o programa Saúde e Prevenção nas Escolas. A iniciativa – presente em mais de 50 mil escolas públicas de todo o país – também disponibiliza preservativo à comunidade escolar.

– O jovem está aberto, preocupado com sua saúde. E a escola é um espaço adequado para que os estudantes se conscientizem sobre a importância do uso da camisinha e da prevenção das DSTs – conclui Mariângela.



22:15 - 18/06/2009

Sexualidade: Temporão alerta para dados preocupantes

Sexualidade: Temporão alerta para dados preocupantes
Jornal do Brasil


BRASÍLIA - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, demonstrou preocupação com alguns dos dados revelados pela Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade (PCAP - 2008).

– As pessoas estão se relacionamento mais com parceiros e parceiras casuais. E o Ministério da Saúde não pode fechar os olhos – advertiu Temporão.

Ao comentar o estudo, o ministro afirmou que a pasta está trabalhando em redes de relacionamento para informar usuários sobre métodos de prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis, tendo em vista o crescimento do número de brasileiros que conhecem parceiros por meio da internet. Para Temporão, os dados mostram que a população está bem-informada, mas que “o problema está longe de ser resolvido”:

– Algumas coisas nos preocupam. Precisamos de estratégias articuladas – disse, ao lembrar que o Brasil registra 33 mil novos casos de contaminação pelo vírus HIV a cada ano. – O tratamento, apesar de absolutamente necessário, não resolve todos os problemas. Não podemos cair na banalizaçao da doença.

Gratuidade

Entre os pontos positivos, Temporão destacou que 33% da população usa preservativos fornecidos gratuitamente pelo governo. Segundo ele, as escolas são o segundo local de maior distribuição de camisinhas. Para o ministro, uma mudança no comportamento sexual depende de informação, tecnologia e também de opção pessoal.

– Não é possível normatizar o desejo da sociedade – avaliou o ministro, ao acrescentar que, quando o assunto é sexo, a atitude das pessoas “faz a diferença”. (Com agências)



22:17 - 18/06/2009

Preservativo faz parte do universo de geração que vive o medo do HIV

Preservativo faz parte do universo de geração que vive o medo do HIV
João Pequeno, Jornal do Brasil


RIO DE JANEIRO - Números do Ministério da Saúde que mostram uso mais frequente de preservativo nas relações sexuais pelos jovens refletem, entre outros fatores, o mundo em que cresceram, com informação constante sobre o vírus HIV. Ao todo, 32,7% dos entrevistados de 15 a 24 anos disseram ter usado camisinha em todas as relações sexuais nos últimos 12 meses, contra 17,2% de 25 a 49 anos e 10,5% de 50 a 64. Mas fatores como relacionamentos fixos ainda motivam o sexo desprotegido.

A Aids despontava nas preocupações mundiais por volta de 1984, ano em que nasceu a estudante de museologia Beatriz Albuquerque. Aos 25 anos, completados em abril, ela ainda estava na faixa mais jovem analisada pelo ministério quando teve a relação sexual mais recente, com seu ex.

O rompimento, além do namoro, acabou com a confiança estabelecida em dois anos de relação que a levaram a abrir mão da camisinha algumas vezes.

– Com o tempo, a gente forma uma confiança que acaba junto com o namoro. Aí, todos os medos vêm de uma vez só – lembra Beatriz, que fez teste de HIV e “deu tudo certo”. – Também temi engravidar, mesmo tomando pílula – acrescenta.

Além da Aids, Beatriz pensa em outras doenças, mais comentadas recentemente, segundo ela.

– Minha geração mudou. Antigamente, só se falava em HIV; hoje, acho que as mulheres já estão mais conscientes sobre outros riscos, como o HPV (vírus que aumenta o risco de câncer) – avalia.

Há 10 anos, a estudante de museologia tinha aula de educação sexual na escola, mas aprendeu mesmo sobre prevenção com as amigas – e as mães das amigas.

– Era normal ouvir que “a filha de fulano teve neném”. A gente via adolescentes de 15, 16 anos, como nós, engravidando e sentia que precisava se proteger.

Uma conhecida, que engravidou aos 16, serviu de exemplo do que Beatriz não queria para si:

– Ela acabou saindo do ciclo de amizades, porque nunca podia sair para os mesmos lugares, além de ter se atrasado nos estudos – lembra.

Para o programador de internet Rodrigo Sousa, 23, usar preservativo virou “um hábito tão grande, que já não consigo me comportar de outra forma”. Foi assim desde a primeira vez, aos 16 anos, quando, para driblar a clássica dificuldade de homens inexperientes com a camisinha, treinou antes.

– Praticava sozinho antes de usar “para valer” – lembra Rodrigo, assumindo que esse reflexo condicionado entre sexo e preservativo também pode falhar.

– Fiquei com uma menina numa festa e não tinha nenhuma camisinha, nem condição de sair para comprar, lá na Barra da Tijuca, onde tudo é longe. Depois (da relação sexual), veio o medo. Quem está acostumado a se sentir seguro, protegido, como eu, quando não está, acaba ficando muito mais grilado – diz Rodrigo que, por via das dúvidas, fez teste de HIV (“Tudo OK”) e passou a sempre levar camisinha para casos de situações similares.

A pesquisa também apontou que 10,3% dos homens fizeram sexo nos últimos 12 meses com pessoas que conheceram na internet – mais que o dobro das mulheres (4,1%), diferença que traduz um fenômeno comum entre os gays.

R.F., que em salas de bate-papo usa o pseudônimo Bochecha Marrom, diz que “na internet rola de tudo, inclusive homens casados, que querem ser passivos” e que é “muito objetivo”.

– Eu marco com o cara e, se um gostar do outro, vamos logo para o motel – resume, ponderando que se previne. – Só rola se ele usar preservativo.

Colaborou Camilla Lopes



22:25 - 18/06/2009
18/06/2009 , às 13h08

MS divulga retrato do comportamento sexual do brasileiro


Foram realizadas 8 mil entrevistas com homens e mulheres entre 15 e 64 anos. A análise das informações auxiliará na execução e na avaliação da política para a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis


O Ministério da Saúde acaba de concluir a maior pesquisa já realizada sobre comportamento sexual do brasileiro. Entre os meses de setembro e novembro de 2008, pesquisadores percorreram as cinco regiões do país para fazer 8 mil entrevistas com homens e mulheres entre 15 e 64 anos. A análise das informações auxiliará na execução e na avaliação da política para a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com o estudo, 77% dessa população (66,7 milhões) teve relações sexuais nos 12 meses que antecederam a pesquisa.

“Uma coisa nova, que surge, é a Internet como espaço de encontro, o que vai exigir do governo novas estratégias, novas abordagens para lidar com essa realidade”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na apresentação do estudo, que contou com a participação do secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, e da diretora do Departamento de DST/Aids do Ministério, Mariângela Simão. “Em sites de relacionamento, orkut, blogs e outros espaços na rede mundial de computadores o Ministério vai ter de entrar e levar informações, discutir, entrar em debates. Qual é a informação central? Não pode haver relacionamento sem uso de preservativo. O preservativo é a maneira mais segura de se prevenir a infecção com o vírus HIV”.

Temporão salientou que, a cada ano, há 33 mil novos casos de HIV no Brasil. “Um estudo recente mostra que, a cada dois casos diagnosticados que iniciaram o tratamento, existem cinco outros que não foram ainda diagnosticados”, observou, alertando sobre as mudanças de comportamento visualizadas a partir da pesquisa.

As principais diferenças de comportamento estão entre homens e mulheres. Entre eles, 13,2% tiveram mais de cinco parceiros casuais no ano anterior à pesquisa; entre elas, esse índice é três vezes menor (4,1%). 10% deles tiveram, pelo menos, um parceiro do mesmo sexo na vida, enquanto só 5,2% delas já fizeram sexo com outras mulheres. A vida sexual deles também começa mais cedo – 36,9% deles tiveram relações sexuais antes dos 15 anos; entre elas esse índice cai para menos da metade, 17%. A pesquisa traz ainda recortes por escolaridade e região. Nesses dois casos, não há diferenças estatísticas relevantes.

“Temos de redobrar a disseminação de informação, a educação, a disponibilização gratuita de preservativos. O Ministério está comprando um bilhão de camisinhas, neste momento, para ampliar o acesso”, pontuou o ministro, sobre a prevenção ao HIV. “A pesquisa já levanta o alerta de que principalmente os mais jovens estão usando, e as pessoas de mais idade estão usando menos. Evidentemente, toda essa informação apurada a partir da pesquisa é um material fundamental para o Ministério poder rever suas políticas e suas estratégias no enfrentamento da doença”.

Temporão defendeu, ainda, que não se banalize a doença. “Isso é um risco sempre presente. À medida em que você avança e conquista um patamar diferenciado no tratamento, com o uso do coquetel – o que melhora profundamente não só a sobrevida como a qualidade de vida –, há sempre um risco de banalização, de se pensar que essa doença é tratável e que basta tomar o remédio e está tudo bem”, disse o ministro. “Isso não é verdade. Nós sabemos que é muito melhor viver sem a doença do que com a doença”.

Indicadores de comportamento sexual da população
sexualmente ativa entre 15 e 64 anos, por sexo (em%)

Indicador Homens Mulheres Total
Relações sexuais nos últimos 12 meses 81 73,7 77,3
Relações sexuais antes dos 15 anos 36,9 17 26,8
Mais de 10 parceiros na vida 40,1 10,9 25,3
Mais de 5 parceiros casuais no último ano 13,2 4,1 8,8
Relação sexual com pessoa do mesmo sexo, na vida 10 5,2 7,6
Pelo menos um parceiro fixo nos últimos 12 meses 84,2 89 86,5
Pelo menos um parceiro casual nos últimos 12 meses 36,8 18,5 27,9
Pelo menos um parceiro que conheceu pela internet nos últimos 12 meses 10,3 4,1 7,3


Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008



SEXO PROTEGIDO – A pesquisa constatou ainda que quase metade da população (45,7%) faz uso consistente do preservativo com seus parceiros casuais (usou em todas as relações eventuais nos últimos 12 meses). As principais diferenças estão entre homens e mulheres e por faixa etária. Homens usam mais preservativos que as mulheres em todas as situações. Os jovens são os que mais fazem sexo protegido em relação aos mais velhos (veja texto anexo). A análise dos dados com recorte de região e de escolaridade não mostra diferenças significativas.


Uso do preservativo na população sexualmente ativa entre
15 e 64 anos, por sexo (em%)
Uso do preservativo Homens Mulheres Total
Na primeira relação sexual (15 a 24 anos) 63,8 57,6 60,9
Na última relação sexual dos últimos 12 meses 40,2 29,7 35,1
Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses 65,1 45,5 58,8
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos 21,5 17,3 19,4
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais 51,0 34,6 45,7


Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008.

Uso do preservativo na população sexualmente ativa
entre 15 e 64 anos, segundo faixa etária, em 2008 (em%)


Uso de preservativo 15-24 25-49 50-64 15-64 (Total)
Na primeira relação sexual (15 a 24 anos) 60,9 - - 60,9
Na última relação sexual dos últimos 12 meses 55,0 30,2 16,4 35,1
Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses 67,8 54,4 37,9 58,8
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com qualquer parceiro 32,6 17,2 10,5 20,6
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos 30,7 16,6 10,0 19,4
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais 49,6 44,6 32,0 45,7



Fonte: Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos, 2008


INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO – A população brasileira possui um elevado índice de conhecimento sobre as formas de infecção e de prevenção da aids – mais de 95% da população sabe que o uso do preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV. O conhecimento é maior entre pessoas de maior escolaridade. Mas mesmo entre aqueles com primário incompleto, o preservativo é bastante conhecido. Além disso, 90% dos brasileiros afirmaram saber que a aids ainda não tem cura. Não há diferenças relevantes sobre o conhecimento entre as regiões nem entre os sexos.


Percentual (%) de indivíduos com idade entre 15 e 64 anos, com conhecimento correto sobre as formas de transmissão do HIV, por escolaridade. Brasil, 2008

Formas de transmissão Primário Incompleto Primário Completo e Fundamental Incompleto Fundamental Completo Total
Sabe que uma pessoa com aparência saudável pode estar infectado pelo HIV 81,2 91,6 96,6 92,0
Acha que ter parceiro fiel e não infectado reduz o risco de transmissão do HIV 78,6 81,5 80,2 80,5
Sabe que o uso de preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV 95,2 96,9 96,9 96,6
Sabe que pode ser infectado ao compartilhar de seringa 85,1 88,6 96,0 91,2
Sabe que pode ser infectado nas relações sexuais sem preservativo 92,2 95,9 96,8 95,7
Sabe que não que existe cura para a aids 90,6 93,1 95,3 93,6



Fonte: Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos, 2008

Esse é um dos índices mais elevados do mundo. Pesquisa realizada em 64 países indicou que 40% dos homens e 38% das mulheres de 15 a 24 anos tinham conhecimento exato sobre como evitar a transmissão do HIV. Além disso, dados do relatório da Assembléia Geral das Nações Unidas em HIV/Aids (UNGASS) de 2008 apontam que, no mundo, há diferenças importantes entre os sexos: pouco mais de 70% dos homens jovens sabem que usar preservativo é uma estratégia de prevenção eficaz contra a transmissão do HIV. Entre as mulheres, são apenas 55%.


MAIS EXPOSTOS – A comparação dos resultados da PCAP 2008 com os da mesma pesquisa realizada em 2004 acenderam o alerta para o Ministério da Saúde. O brasileiro tem feito mais sexo casual. Em 2004, 4% das pessoas haviam tido mais de cinco parceiros casuais no ano anterior. Em 2008, esse índice foi mais que o dobro, passando para 9,3%. Ao lado disso, o conhecimento sobre os riscos de se infectar com o HIV e sobre as formas de prevenção continuam altos. Mesmo assim, a pesquisa identificou uma tendência queda no uso do preservativo. Passou de 51,6% em todas as parcerias eventuais, em 2004, para 46,5% em 2008.

Indicadores de comportamento sexual da
população sexualmente ativa, em 2004 e 2008 (em %)

Indicador 2004 2008
Relações sexuais nos últimos 12 meses 81,4 79,0
Relações sexuais antes dos 15 anos 25,2 27,7
Mais de 10 parceiros na vida 19,3 25,9
Mais de 5 parceiros casuais no último ano 4,0 9,3



Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 54 anos de idade, 2004; Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008


Percentual (%) de indivíduos com idade entre 15 e 54 anos sexualmente ativos, segundo o uso de preservativo, em 2004 e 2008

Indicador 2004 2008
Na primeira relação sexual (15 a 24 anos) 53,2 60,9
Na última relação sexual dos últimos 12 meses 38,4 36,8
Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses 67 59,9
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com qualquer parceiro 25,3 21,5
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos 24,9 20,3
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais 51,5 46,5


Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 54 anos de idade, 2004; Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008

PARCERIAS FIXAS E CASUAIS – Pela primeira vez, a PCAP analisou a ocorrência das relações casuais no mesmo período das relações fixas. De acordo com a pesquisa, 16% dos brasileiros traem – dos 43,9 milhões que viviam com companheiros (as), 7,1 milhões tiveram parceiros (as) eventuais, no mesmo período. São os homens os que mais traem: 21% (4,7 milhões). Já para as mulheres, esse índice é de 11% (1,8 milhão).

A pesquisa analisou também o uso do preservativo nas parcerias casuais fora da relação estável. O uso nessa situação é baixo. 63% não adotaram preservativo em todas as vezes que fizeram sexo com parceiro eventual. Entre os homens, o índice é de 57% e entre as mulheres 75%.

Parcerias casuais de quem vive com companheiros no último ano (em %)



% N
Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total
Dentre os sexualmente ativos no ano
Vivem com companheiro 63% 68% 66% 21.888.461 21.985.459 43.873.920
Têm parceiro casual e vivem com companheiro 21% 11% 16% 4.673.452 2.404.832 7.078.284
Não usou preservativo em todas as relações casuais 57% 75% 63% 2.652.805 1.798.108 4.450.913
Não usou preservativo na última relação casual 49% 68% 56% 2.291.572 1.632.638 3.924.210



Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008


O QUE PROMOVE O USO DO PRESERVATIVO – O Departamento de DST e Aids – responsável pelo estudo – criou um modelo estatístico para analisar as informações da pesquisa e identificou quais são os principais fatores que impactam a adoção do preservativo. Gênero, acesso gratuito à camisinha e quantidade de parcerias casuais são as características mais importantes:

– Homens têm 40% mais chance de usar camisinha que as mulheres;
– Quanto mais jovem, maior a probabilidade de uso de preservativo (a cada ano, diminui 1% a chance de o indivíduo usar preservativo);
– Quem teve mais de cinco parceiros casuais nos últimos 12 meses tem quase duas vezes mais chance de usar que os que não tiveram;
– Quem já pegou preservativo de graça tem duas vezes mais chance de usar que aqueles que nunca pegaram.

A divisão por sexo mostra que alguns fatores têm impacto diferenciado sobre homens e mulheres. Entre eles, os “solteiros” têm quase quatro vezes mais chance de usar a camisinha que os com relações estáveis; os que já pegaram preservativo de graça têm 80% mais chance de usar que os que nunca pegaram. Entre as mulheres, as “solteiras” têm mais que o dobro de chance de usar que as “casadas”. As que já pegaram preservativo de graça têm mais que o dobro de chance de fazer sexo seguro que as que nunca pegaram.

Indicadores 15-24 25-49 50-64 15-64
Serviço de saúde 37,7 27,0 10,7 27,2
ONG 7,8 5,6 2,7 5,7
Escolas (dentre os que estudavam) 16,5 - - -
Pegou preservativo de graça pelo menos uma vez nos últimos 12 meses 41,4 28,6 11,6 29,2

Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008


METODOLOGIA

A Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST e Aids na População Brasileira de 15 a 64 anos foi realizada por técnicos do Ibope em todas as regiões do país em novembro de 2008, com 8 mil entrevistados. A amostragem foi estratificada por macrorregião geográfica (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste) e situação urbano/rural. As características sociodemográficas apresentadas na pesquisa se assemelham às do Censo do IBGE: quase 49% eram homens; 53,3% tinham entre 25 e 49 anos; 42,6% tinham o nível de escolaridade fundamental completo; 46,3% declarou sua cor ou raça como parda e 38,9% como branca; em torno de 57% vivia com companheiro; 48,5% pertenciam à classe econômica C; quase 7% residiam na região Norte, 26,7% no Nordeste, 44,4% no Sudeste, 15,2% no Sul e 7% na região Centro-Oeste; grau de urbanização foi de quase 83%. A análise dos dados foi feita pela equipe técnica do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde, com o apoio do Centro de Informação Científica e Tecnológica (LIS/CICT) da Fundação Oswaldo Cruz.


Mais informações à imprensa
Departamento de DST e Aids
Assessoria de Imprensa
Telefones: (61) 3306 7016 / 7010 / 7008 / 9221 2546
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Site: www.aids.gov.br

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Ministério da Saúde e UNODC firmam protocolo de intenções para prevenção e tratamento ao uso nocivo de álcool e outras drogas

Ministério da Saúde e UNODC firmam protocolo de intenções para prevenção e tratamento ao uso nocivo de álcool e outras drogas
Iniciativa faz parte de um plano emergencial que prevê R$ 117,3 milhões em ações de prevenção e tratamento em 108 municípios brasileiros







Brasília, 04 de junho de 2009 - O ministro da Saúde do Brasil, José Gomes Temporão e o representante regional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), Giovanni Quaglia, assinaram nesta quinta-feira (4) um protocolo de intenções com o objetivo de elaborar e executar o Projeto "Atenção Integral a Crianças e Jovens em situação de Vulnerabilidade e Risco para a Violência e o Uso de Álcool e outras Drogas". O projeto prevê investimentos da ordem de R$ 6 milhões em cooperação técnica entre o ministério e o UNODC para fortalecimento institucional e qualificação da gestão e das redes de atenção em saúde mental, especialmente para o atendimento a crianças e jovens usuários de álcool e outras drogas e em situação de vulnerabilidade social.



A cerimônia de assinatura do protocolo contou com a presença do General Paulo Roberto Uchoa, Secretário Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), do ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, da Secretária Executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Arlete Sampaio e do Secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Junior, importantes parceiros na realização do projeto.



A cooperação entre o UNODC e o Ministério da Saúde faz parte do Plano Emergencial de Ampliação do Acesso ao Tratamento e Prevenção em Álcool e outras Drogas (PEAD 2009-2010). Liderada pelo ministério da Saúde, o Plano é uma ação interministerial com investimentos de R$ 117,3 milhões a serem aplicados na ampliação do acesso às ações de prevenção e tratamento ao uso nocivo de álcool e outras drogas na rede de atenção mental ao Sistema Único de Saúde (SUS) até dezembro de 2010.



Em um primeiro momento, as ações do PEAD serão direcionadas aos 100 maiores municípios brasileiros, além de Palmas, capital do Tocantins, e de sete municípios de fronteira - Uruguaiana (RS), Santana do Livramento (RS), Corumbá (MS), Ponta Porã (MS), Tabatinga (AM), São Gabriel da Cachoeira (AM) e Guajará Mirim (RO), escolhidos por serem regiões de rota de tráfico e, consequentemente, apresentarem altos índices de abuso de drogas. O PEAD prevê aumento de 194% no número de leitos de saúde em hospitais gerais; a criação de 720 novos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF); e a implantação de 92 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em todo o território nacional.



De acordo com o ministro Temporão, com esse plano emergencial, a Saúde chama para si a responsabilidade de lidar com um problema social que é decorrente de fatores estruturais, que produzem vulnerabilidade e que, por isso, não deve ser abordado apenas no aspecto de delinqüência, da exclusão e do preconceito. "Por essa razão o norte ético do projeto é cuidar sim, excluir jamais", disse o ministro.



O representante regional do UNODC, Giovanni Quaglia, destacou a importância de o PEAD ser uma resposta integrada à questão das drogas, englobando diversos ministérios e também os atores estaduais e municipais.



Quaglia ressaltou que, além de reduzir o tráfico e os focos produtores e consumidores de drogas, é fundamental uma abordagem da saúde ao tema, principalmente no que se refere a adolescentes e jovens. "Como disse recentemente o ministro da Justiça, Tarso Genro, a fronteira do enfrentamento às drogas está na comunidade", afirmou o representante do UNODC. Quaglia disse ainda que a experiência do Brasil pode servir como modelo a ser adotado em outros países, dentro de um modelo de cooperação sul-sul.



O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, sublinhou a perspectiva dos direitos humanos nessa questão, ressaltando a importância da luta antimanicomial, da discussão sobre a priorização da medicação no tratamento a portadores de sofrimento mental e do processo de mudança no paradigma da abordagem as drogas no país. Ele considera que é preciso lutar contra o estigma e o preconceito e focar na educação em direitos humanos como parte da política de prevenção ao abuso do álcool e outras drogas, independentemente do status legal de cada substância.








Mais informações:
Assessoria de imprensa

UNODC - Escritório para o Brasil e Cone Sul
Tel: 61-3204-7200

E-mail: unodc.brasil@unodc.org

quarta-feira, 20 de maio de 2009

18 DE MAIO UMA DATA DUAS MARCAS IMPORTANTES DE ATUAÇÃO
















DIA MUNDIAL DE COMBATE ÀS HEPATITES VIRAIS

Ministério da Saúde
Secretaria de Vigilância em Saúde

Cabeça: Dia mundial de combate às hepatites virais.

Hoje, 19 de maio, é comemorado o Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais. Você sabia que a hepatite tipo B é transmitida sexualmente, pelo sangue e de mãe para filho? A doença compromete o fígado, não apresenta sintomas e pode evoluir para um câncer hepático. Daí a importância do diagnóstico. Segundo a Organização Mundial de Saúde aproximadamente dois milhões de brasileiros têm o vírus da hepatite B. O Ministério da Saúde recomenda o uso de camisinha para prevenir a infecção e que materiais perfuro-cortantes, como alicate de unha, barbeadores e agulhas, sejam esterilizados e não compartilhados. Recém-nascidos devem ser vacinados. Os adultos não vacinados e que apresentam sintomas de outras doenças sexualmente transmissíveis devem procurar orientação médica.




De Brasília, Luana Carvalho

segunda-feira, 18 de maio de 2009

CARTA DE DIREITOS E DEVERES DOS USUÁRIOS E FAMILIARES NA REFORMA PSIQUIÁTRICA – LEI Nº 10.216/ABRIL 2001.

CARTA DE DIREITOS E DEVERES DOS USUÁRIOS E FAMILIARES NA REFORMA PSIQUIÁTRICA – LEI Nº 10.216/ABRIL 2001.

I. DIREITOS CONSTITUCIONAIS NA SOCIEDADE

• A TODOS OS USUÁRIOS DEVE SER GARANTIDO TODOS OS DIREITOS CONSTITUCIONAIS A UMA VIDA PLENA EM SUAS DIMENSÕES PSICOLÓGICAS, EXISTÊNCIAIS, SOCIAIS E POLÍTICA.

• A ASSITÊNCIA À SAÚDE MENTAL DE QUALIDADE DENTRO DA “REDE NACIONAL DE TRABALHOS SUBSTITUTIVOS” AOS “HOSPITAIS PSIQUIÁTRICOS”, É UM DIREITO DE TODO O CIDADÃO, INDEPENDENTE DE SUA SITUAÇÃO SOCIAL, FAMILIAR E RACIAL, E ESTA NÃO PODERÁ, EM HIPOTESE ALGUMA, JUSTIFICAR A VIOLAÇÃO DE QUAISQUER DIREITOS CIVIS, CONSTITUCIONAIS E DE CIDADANIA.

• TODO O USUÁRIO TEM DIREITO À LIBERDADE, À DIGNIDADE E A SER TRATADO, DEFENDIDO JURIDICAMENTE, E OUVIDO COMO PESSOA HUMANA, COM TODOS OS SEUS DIREITOS CIVIS, POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS COMO QUALQUER CIDADÃO.

• NÃO HAVERÁ DISCRIMINAÇÃO OU PRECONCEITO EM RELAÇÃO AO USUÁRIO DE SERVIÇOS DA SAÚDE MENTAL, INCLUSIVE NO MERCADO DE TRABALHO EM SEUS DIREITOS TRABALHISTAS E INSTITUIÇÕES SOCIAIS EM GERAL. QUALQUER TIPO DE DISCRIMINAÇÃO OU PRECONCEITO INFRIGE CÓDIGO PENAL, PASSIVEL DE AÇÃO JURÍDICA.

• TODO O USUÁRIO TEM DIREITO DE EXPRESSÃO, DE SER RESPEITADO EM SEUS CREDOS RELIGIOSOS, MANIFESTAÇÕES CULTURAIS E SEXUALIDADE.

• NENHUM USUÁRIO PODE SER SUBMETIDO À EXPLORAÇÃO ECONÔMICA, SEXUAL, ABUSO FISICO E MORAL, OU COMPORTAMENTOS E TRATAMENTOS DEGRADANTES.

II. CARACTERISTICAS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL E OUTROS SERVIÇOS QUE GARANTEM A QUALIDADE DE VIDA DOS USUÁRIOS.

• A ASSISTÊNCIA EM SAÚDE MENTAL ABRANGE NÃO SOMENTE A ASSISTÊNCIA PSICOLÓGICA E PSIQUIÁTRICA, MAS TAMBÉM ASSISTÊNCIA MÉDICA, ODONTOLÓGICA, SOCIAL, TERAPEUTICA, JURÍDICA, REABILITAÇÃO, EDUCAÇÃO, PREPARAÇÃO PROFISSIONAL, E GARANTIA DE TRABALHO PROTEGIDO OU NÃO.

• A ATENÇÃO EM SAÚDE MENTAL NÃO DEVE SER REALIZADA EM MANICÔMIOS – HOSPITAIS PSIQUIÁTRICOS.
A ATENÇÃO EM SAÚDE MENTAL DEVE SER REALIZADA EM SERVIÇOS ABERTOS E O MENOS RESTRITO POSSÍVEL, TAIS COMO: HOSPITAIS GERAIS; CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (CAPS); CENTROS DE CONVIVÊNCIA E COOPERATIVAS; GRUPOS DE TRABALHO E MICROEMPRESAS; HOSPITAIS DIA E NOITE; CASAS E PENSÕES ABRIGADAS – CASAS TEURÁPEUTICAS; ASSOCIAÇÕES COMUNITÁRIAS; GRUPOS DE AUTO-AJUDA; OFICINAS ABRIGADAS; E ETC...

• TODO O SERVIÇO DE SAÚDE MENTAL DEVERÁ CONTAR COM UM OMBUDSMAN OU OUVIDOR ISENTO, IMPARCIAL, CAPAZ DE ASSEGURAR A ESCUTA E A IMPLEMENTAÇÃO DOS DIREITOS CONSTITUCIONAIS E DE CIDADANIA DE SEUS USUÁRIOS.

• OS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL TÊM COMO UMA DE SUAS PRIORIDADES PERMITIREM E INCENTIVAR OS USUÁRIOS A SE ORGANIZAREM EM GRUPOS, CONSELHOS POPULARES, ASSOCIAÇÕES DE USUÁRIOS, FAMILIARES, TRABALHADORES DE SAÚDE MENTAL E COMUNIDADE QUE OBJETIVEM PROPOR E CONSTRUIR AÇÕES QUE TRANSFORMEM A RELAÇÃO COM O SOFRIMENTO MENTAL NA SOCIEDADE EM GERAL, NA LEGISLAÇÃO E NA VIVÊNCIA, ORGANIZAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS.

• OS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL DEVE SE LOCALIZAR O MAIS PRÓXIMO POSSÍVEL DA MORADIA DOS USUÁRIOS, DE FORMA DESCENTRALIZADA... GARANTINDO-SE O DIREITO DE ESCOLHA DO USUÁRIO PELOS SEUS SERVIÇOS E PROFISSIONAIS DE SUA PREFERÊNCIA.

• TODO O SERVIÇO DE SAÚDE MENTAL DEVERÁ GARANTIR O BEM-ESTAR FÍSICO, MENTAL E EMOCIONAL DE SEUS USUÁRIOS, E CONDIÇÕES DE HIGIENE, SEGURANÇA, CONDIÇÕES ECOLÓGICAS E AMBIENTAIS, CONFORTO, PRIVACIDADE E ALIMENTAÇÃO DE QUALIDADE COM SUPERVISÃO PROFISSIONAL.

• TODO O USUÁRIO TERÁ DIREITO AO MEIO DE TRANSPORTE QUE GARANTA O ACESSO GRATUITO AO SERVIÇO DE SAÚDE MENTAL, BEM COMO À MEDICAÇÃO, SEM COM ISSO INDUZIR À DISCRIMINAÇÃO OU AO PRECONCEITO.

• AS CRIANÇAS E OS ADOLESCENTES NÃO PODERÃO SER TRATADOS EM SERVIÇOS EXCLUSIVOS DE ADULTOS, EXIGINDO-SE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS QUE GARANTAM OS DIREITOS RECONHECIDOS NO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE.

• OS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL DEVEM SER GRATUITOS E PREFERENCIALMENTE PÚBLICOS. TODOS OS SERVIÇOS, E PREFERENCIALMENTE OS DE CARATER PRIVADO E LUCRATIVO CONVENIADOS , DEVEM ESTAR SOB A SUPERVISÃO E FISCALIZAÇÃO EM QUALQUER MOMENTO PELO PODER PÚBLICO E ENTIDADES DE USUÁRIOS, FAMILIARES E PROFISSIONAIS.

III. CARACTERISTICAS DOS TRATAMENTOS EM SAÚDE MENTAL.

• TODO SERVIÇO DE TRIAGEM EM SAUDE MENTAL (RESPEITANDO A LEI 10.216/01 QUE A VERBA DEVE ACOMPANHAR O USUÁRIO) DEVE INCLUIR UMA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA, PSIQUIÁTRICA, MÉDICO-CLINICA E SOCIAL QUE GARANTA UMA VISÃO AMPLA E INTEGRADA DO SUÁRIO E QUE RESPEITE A SUA FRAGILIDADE E DIGNIDADE DE PESSOA HUMANA.

• DEVERÃO SER PROIBIDAS AS FORMAS DE TORTURA E VIOLÊNCIA PRETENSAMENTE “TERAPÊUTICAS”:
- CAMISA DE FORÇA
- PSICOCIRURGIA;
- INSULINOTERAPIA;
- ESTERILIZAÇÃO INVOLUNTÁRIA;
- CELA FORTE;
- ELETROCONVULSOTERAPIA – ECT.
- SUPERDOSAGEM DE MEDICAMENTOS, DO TIPO “DEPOT” E “SOSSEGA LEÃO”.

• A CONTENÇÃO FÍSICA SÓ SERÁ ADMITIDA, EM EXTREMA NECESSIDADE, COM CRITÉRIOS TÉCNICOS DE ACOMPANHAMENTO, COM TEMPO DETERMINADO, COM VIGILÂNCIA PERMANENTE.

• SOBRE AS FORMAS DE ADMISSÃO, QUALQUER INTERNAÇÃO EFETUADA É OBRIGATÓRIA SUA COMUNICAÇÃO NO PRAZO MÁXIMO DE 48 HORAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO EA UM OUVIDOR NÃO CONVOCADO PELA PRÓPRIA INSTITUIÇÃO, MAS SIM ESCOLHIDO PELAS ENTIDADES DE USUÁRIOS.

• TODO USUÁRIO DEVERÁ SER INFORMADO, EM LINGUAGEM DO SEU ENTENDIMENTO, DAS OPÇÕES DE SERVIÇOS E TRATAMENTO, E A DECISÃO FINAL DEVERÁ CONTAR COM O CONSENTIMENTO DO USUÁRIO E/OU PESSOAS DE SUA CONFIANÇA.

• TODO PROGRAMA DE SAÚDE MENTAL DEVERÁ PROMOVER ABORDAGENS E SERVIÇOS ESPECIALIZADOS E ADEQUADOS AOS DIVERSOS GRUPOS DA CLENTELA, TAIS COMO ALCOOLISTA, CRIANÇAS E ADOLESCENTE, IDOSOS, AUTISTAS, DRODICTOS, PORTADORES DE DEFICIÊNCIA, DE HIV POSITIVO, ETC...

• TODO O SERVIÇO DE SAÚDE MENTAL DEVE OFERECER ORIENTAÇÃO, SUPORTE E/OU TERAPÊUTICA PARA OS FAMILIARES DOS USUÁRIOS, BEM COMO MECANISMOS DE PARTICIPAÇÃO NAS DECISÕES E FISCALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS.

IV. DIREITOS DOS USUÁRIOS NOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL.

• TODO O USUÁRIO TEM DIREITO À EXPRESSÃO RESPONSÁVEL DE SUA AFETIVIDADE E SEXUALIDADE NOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL , BEM COMO ORIENTAÇÃO SEXUAL E ACESSO AOS MEIOS DE CONTRACEPÇÃO.
• TODO O USUÁRIO DEVE TER GARANTIDO OS DEMAIS DIREITOS:
a) DE ACESSO ÀS INFORMAÇÕES CONTIDAS EM SEU PRONTUÁRIO.

b) DE ACESSO AOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, TAIS COMO TV, INTERNET, JORNAIS, RÁDIOS E TELEFONES E DEMAIS...

c) AO SIGILO E INVIOLABILIDADE DE CORRESPONDÊNCIAS.

d) À PRIVAÇÃO E INDIVIDUALIDADE.

e) A PARTICIPAÇÃO DAS DECISÕES NOS SERVIÇOS, NOS CONSELHOS POPULARES, CONFERÊNCIACAS, SEMINÁRIOS, CONGRESSOS E ENCONTROS DE SAÚDE MENTAL COM DIREITO DE REPRESENTAÇÃO E PARTICIPAÇÃO.

f) A UMA REPRESENTAÇÃO LEGAL (JURIDICA) GRATUITA EM CASO DE INCAPACIBILIDADE CIVIL. QUE NECESSITE PARA GARANTIA DE SEUS DIREITOS DE INDENIZAÇÕES AOS SEUS DIREITOS VIOLADOS.

g) AO ACESSO AS INFORMAÇÕES DOS DIREITOS CONSTITUCIONAIS DOS USUÁRIOS.

V. DEVERES DOS USUÁRIOS NA REDE DE TRABALHOS SUBSTITUTIVOS.

I - O USUÁRIO NA MEDIDA DO POSSÍVEL DEVE CUIDAR DA SUA HIGIENE PESSOAL, ADMINISTRAR O USO DE SUA MEDICAÇÃO JUNTAMENTE COM SEUS TERAPEUTAS DE FAMILIARES.

II – O USUÁRIO (NA MEDIDA DO POSSÍVEL) DEVE SER RESPONSÁVEL POR SEUS ATOS E AÇÕES COM SEUS DEMAIS COMPANHEIROS, PROFISSIONAIS E FAMILIARES.

VI – DEVERES DOS FAMILIARES

I – O FAMILIAR DEVERÁ CUIDAR DO SEU PARENTE ENFERMO E PRESTAR-LHE TODA A ASSISTÊNCIA NECESSÁRIA.

II – O FAMILIAR DEVERÁ COLABORAR COM OS SERVIÇOS QUE PRESTAM ATENDIMENTO AO SEU PARENTE.


Observação:
Utilizamos a expressão “Usuário”, assim como a expressão “Técnicos” para designar situações especificas. Na verdade, nós, usuários entre aspas, somos pessoas, seres humanos totais e integrais, acima das condições apenas circunstanciais da comunidade dos serviços de saúde mental. Queremos ser autores do nosso próprio destino.
Desejamos a verdadeira integração na sociedade, com os chamados “normais”. Entretanto, as pessoas neste movimento não se chamam umas as outras de usuários, mas de companheiros, participantes e amigos.

SENADO FEDERAL COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS

CARTA DE REFLEXÃO AOS MEMBROS DA ASSOCIASSÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA.

Austregésilo Carrano Bueno.

Tornam-se necessários as lembranças de alguns fatos históricos e atuais aos “Senhores e Filiados” da “Organização - Associação Brasileira de Psiquiatria”:

Temos uma Lei Federal de Reforma Psiquiátrica - nº 10216/Abril de 2001. Lei Federal, que não vem sendo cumprida no Brasil o que ela reza, em função da oposição violenta e muitas vezes até criminosa por “Organizações” como a “ABP”. E o não cumprimento de uma Lei Federal, juridicamente é um ato criminoso.

A aversão a Reforma Psiquiátrica no Brasil, que os membros filiados a essa “Organização ABP” levam-nos a crermos nas semelhanças com “Seitas Secretas” que lutam por vantagens e regalias unicamente aos seus aprendizes, conselheiros e mestres, a qualquer custo.

São de conhecimento que as Instituições Psiquiátricas brasileiras há décadas vêm sendo usadas, também, como instrumento de usurpação financeira dos nossos impostos públicos. Consumindo até dez anos atrás a “Maior Verba” destinada à área da Saúde Publica no Brasil, e hoje ainda consome a “Terceira Maior Verba” do SUS. Chegamos à conclusão que confinar, drogar e torturar pessoas é um ótimo investimento financeiro, respaldados numa falsa moral do jaleco psiquiátrico de benesse social.

Visto que esta “Organização ABP” depende unicamente deste tipo de “Sistema Manicomial – Hospitais Psiquiátricos”, para sobrevivência dos donos e associados viverem em farturas econômicas. Exigem a manutenção dessas “Casas de Extermínio” para a seqüência do que eles chamam de “Tratamento Psiquiátrico”. Sistema este, também, comparável aos “Campos de Concentração Nazistas” onde os prisioneiros perdiam todos os seus Direitos de Cidadãos, e o Dr. Mengele, o Médico Monstro nazista, fazia suas variantes e diabólicas experiências.

“Organização ABP” defende a fartura econômica gerada por este tipo de “Sistema”, além disto os tornam também, verdadeiros intocáveis jurídicos. Na história forense brasileira nenhum de seus membros sequer respondeu a algum processo jurídico de responsabilidade ou por crimes psiquiátricos.

Lembrando que em menos de cinqüenta anos este “Sistema Manicomial Psiquiátrico” brasileiro, criado e defendido por esta “Organização ABP”, matou e inutilizou mais de “Seiscentas Mil Pessoas” dentro de seus “Chiqueiros Psiquiátricos” no Brasil.

E seus filiados e membros desta “Organização ABP”, jamais foram responsabilizados ou responderam criminalmente ao jurídico brasileiro... E as vítimas sobreviventes ou familiares dos que morreram, ninguém jamais recebeu até hoje alguma Indenização. Mais uma forte semelhança com as “Sociedades Secretas”, que protegem seus membros de quaisquer ações, só são punidas as ações que colocam em riscos seus membros.

As Instituições Psiquiátricas, os Hospícios, foram e são também usadas como uma forma de “Limpeza Racial”, ideologia antiga de “Sociedades Secretas”, e muito antes do surgimento do nazismo. Instituições Psiquiátricas são fundamentais para se continuar a realizar qualquer tipo de experiências humanas, práticas de violências, desenvolvimento de técnicas de persuasão, abusos sexuais, desaparecimentos, inutilização, bastando apenas rotulá-los de loucos e enjaula-los e droga-los como animais raivosos ou criminosos perigosos. Sistema utilizado em muitas sociedades do primeiro mundo e utilizado há anos abusivamente no Brasil.

“Membros e Filiados da Organização ABP”, é esta a realidade que vocês defendem, um “Poder” sem qualquer tipo de interferência jurídica ou social... Além de lhes proporcionar “Fortunas Psiquiátricas”. Fortunas estas, que vem passando de geração a geração de seus familiares, como as empresas familiares... É o que nós do MNLA, qualificamos como sendo os únicos objetivos dos “Empresários da Loucura”.

Chamo aqui a atenção, também, à questão do “Ato Médico” que tanta polêmica vem causando, e que não é novidade dentro da área da psiquiatria que já é fato consumado desde a fundação do primeiro Hospício no Brasil... “O Poder incontestável do Médico Psiquiatra perante todas as Leis Constitucionais Brasileiras.”

Outra questão a ser levantada é o interesse dos Senhores Membros e Filiados da “Organização ABP”, usarem de artimanhas mesquinhas e burras na tentativa de criar polêmicas já superáveis, para denegrir o “Projeto” de construção de uma “Rede Nacional de Trabalhos Substitutivos” aos “Hospitais Hospícios Brasileiros”. Projeto em construção e que é apoiado, e admirado pela “Organização Mundial da Saúde - OMS”. A “OMS” vem divulgando e levando para outros paises alguns dos nossos “Trabalhos Substitutivos”.

“Senhores e Filiados da Organização ABP”, sejam, um pouco honestos, em suas avaliações, e assumam como pessoas pensantes e atualizadas sobre estas questões, as suas culpas e interferências às vezes até criminosas, na construção de uma nova visão de abordagem sobre sofrimento mental em todos os seus ângulos. Não é mais possível manter-se um Sistema Manicomial arcaico, torturante e criminoso, fechado, tentando esconder as vítimas atrás das precárias paredes de quaisquer Instituições Psiquiátricas.

Se não avançamos mais na construção, ampliação e qualificação desta “Rede Nacional de Trabalhos Substitutivos” aos “Hospitais Psiquiátricos”, é culpa exclusiva desta “Organização ABP”, que atua fortemente por caminhos e meandros escusos de tempo em tempo contra a Reforma Psiquiátrica no Brasil... Outra semelhança de atuação de “Seitas e Sociedades Secretas” para atingirem seus objetivos.

Seria digno e ético dos “Senhores e Filiados da Organização ABP” assumirem esta posição e arcarem com suas responsabilidades criminosas, já que os “Senhores” sabem e reconhecem que a Reforma Psiquiátrica irá com certeza extinguir as benesses conseguidas através do arcaico e criminoso Sistema Manicomial que vocês criaram e defendem a qualquer custo, ainda hoje.

Os tempos são outros. A “Sociedade Brasileira” não aceita mais Sanatórios para Tuberculose e nem Leprosários, e muito menos irá aceitar que continuem os “Tratamentos Torturantes e Criminosos praticados ainda hoje dentro das Instituições Psiquiátricas Brasileiras”.

A “Sociedade Brasileira” exige reformas urgentes. Até o tempo das denuncias dos maus tratos aos pacientes psiquiátricos dentro dos hospícios já são fatos esgotados e que ainda não foram ultrapassados. A sociedade brasileira é consciente desta realidade e hoje exige mudanças urgentes e soluções concretas neste assunto, e ponto final.

Remar contra esta posição, defendendo Hospitais Psiquiátricos é o mesmo que pedirmos novamente a volta dos Leprosários e Sanatórios para Tuberculosos. Isto prova que os “Senhores e Filiados da Organização ABP” estão desatualizados, vivenciando tempos arcaicos da psiquiatria, e ainda cheios de esperanças de ganhos altos e fáceis no confinamento de seres humanos.

A “Sociedade Brasileira” graças ao belíssimo trabalho de anos pelos “Direitos Civis do Cidadão com Sofrimento Mental”, empenho exclusivo do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial - MNLA, hoje não está pedindo e sim exigindo a Reforma Psiquiátrica e a construção total da “Rede de Nacional de Trabalhos Substitutivos” aos “Hospitais Psiquiátricos no Brasil”. A construção da “Rede de Trabalhos Substitutivos” é prioridade dentro da Lei Federal de Reforma Psiquiátrica.

Graças ao empenho do MNLA, hoje os chamados de leigos e ignorantes sobre saúde mental, já não existem mais, acabou-se aceitação cega da palavra final, do tido até então como “Semi-Deus Psiquiátrica”, como sendo única e insofismável verdade. Hoje discutimos com os “Donos do Saber Psiquiátrico” as teses, teorias, medicações, diagnósticos, formas e tipos de tratamentos.

A sociedade brasileira não aceita mais o simples confinamento e drogadição de seus cidadãos, ela exige e está cobrando qualidade de atendimento, e respeito aos seus direitos civis. Exigindo inclusive punições jurídicas e indenizatórias aos abusos e crimes psiquiátricos... São novos tempos!

“Senhores e Filiados da Organização ABP”, espero que esta “Carta de Reflexão” não seja aceita, vista como uma agressão, e sim que ela atue como uma chamada a “Razão”. Já é passada a hora de se mudarem as visões arcaicas, insensíveis e financistas, sobre o sofrimento mental.

É chegada à hora da “União”, para não medirmos esforços na construção de “Toda” a “Rede Nacional de Trabalhos Substitutivos” aos “Hospitais Psiquiátricos”.

E todos sabemos que com o “Apoio” e não o “Repudio” da Associação Brasileira de Psiquiatria, os “Trabalhos Substitutivos” já teriam sido edificados e avançados em qualidade de atendimento, e servindo de parâmetro internacional, nesta batalha constante de fornecermos qualidade de vida às pessoas com sofrimento mental em todo o mundo.

Rogo para que este meu pequeno e simples parecer sobre esta questão, nos ajude a superarmos interesses financeiros ou de nossos próprios Egos, e sejam modificados por um “Objetivo em Comum”, que é maior que os interesses individuais ou de pequenos grupos.

Ficarmos nos digladiando de nada ajuda a quem mais interessa, que são nossos queridos irmãos que estão em sofrimento mental confinados em hospitais, ou aqui fora esperando maior atenção as suas dificuldades de sociabilização, respeito, qualidade de atendimento e de vida.

Fica provado por esta “Carta Reflexão”, onde machuco e depois assopro, que ambas as partes tem arsenais de argumentações suficientes para aniquilarem-se ainda por muito tempo. E os verdadeiros perdedores é a saciedade brasileira que há anos vem ansiando e esperando esta decantada Reforma Psiquiátrica, e que não aceita mais ter como única opção a internação da sua mãe, filho, ou seja quem for em hospícios.

Como representante destes, com sofrimento mental, almejo uma “União dos profissionais da ABP e do MNLA”, para um entendimento comum, para que nós representantes da sociedade brasileira possamos ter parâmetros definidos na participação e realização concreta da uma “Reforma Psiquiátrica Verdadeira no Brasil”.

É dos profissionais da área da saúde mental a grande responsabilidade pela Reforma Psiquiátrica, como também o são responsáveis pelo “Holocausto Psiquiátrico Brasileiro”, onde a psiquiatria brasileira matou e inutilizou mais pessoas na história da psiquiatria mundial, do que na história psiquiátrica de outros paises... E nós como usuários psiquiátricos, não aceitamos mais sermos presos, confinados, drogados e esquecidos em hospitais psiquiátricos... É preferível a morte!

Austregésilo Carrano Bueno

Escritor, ator, diretor de teatro e dramaturgo.

Representante Nacional dos Usuários na Reforma Psiquiátrica.

Membro da Comissão Intersetorial de Reforma Psiquiátrica do Ministério da Saúde.

Homenageado pelo Ministério da Saúde e pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela sua luta na defesa da Reforma Psiquiátrica no Brasil.

Membro Atuante do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial - MNLA.

Ex-cobaia psiquiátrica por um período de três anos e meio - dos 17 anos aos 21 anos - confinado por erro médico-psiquiátrico; abusado e torturado

em quatro hospiais-chiqueiros de psiquiatria no Brasil.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Hospital Nina Rodrigues está em situação caótica, diz promotor

O promotor de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Ronald Pereira dos Santos, classificou de caótico o estado do Hospital Psiquiátrico Nina Rodrigues, durante o painel promovido pela Câmara de Vereadores de São Luís na manhã desta quarta-feira para discutir as políticas públicas de acessibilidade para as pessoas com deficiência.

De acordo com o promotor, o Ministério Público já tomou diversas medidas exigindo a solução dos diversos problemas do único hospital de referência para o tratamento psiquiátrico em todo o estado, mas nenhuma providência foi tomada pelo Poder Público.

Em fevereiro, Ronald Pereira realizou inspeção nas dependências do Nina Rodrigues e constatou problemas como a falta de medicamentos e de leitos, a escassez de profissionais médicos, o estrangulamento no atendimento e a limitação no número de atendimentos e internações.

“Não há justificativa plausível para o atendimento precário constatado no Hospital Nina Rodrigues. O problema é, basicamente, resultado da falta de boa gestão”, disse o promotor de Justiça. Ele explicou que foram tomadas todas as medidas para garantir um acordo e solucionar os problemas do hospital antes de ajuizar medidas judiciais.

“Infelizmente chegamos a um ponto em que não há solução senão requerer a interdição do hospital”, revelou. Ainda segundo ele, passados dois meses da inspeção feita pelo MPMA e da requisição de soluções para os problemas constatados, a Secretaria Municipal de Saúde não enviou nenhuma resposta aos requerimentos do Ministério Público.

A intenção de Ronald Pereira é denunciar em nível a situação caótica do sistema de atendimento a pessoas com deficiência mental. “Uma das opções pode ser levar a discussão desta situação à Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados”, disse.

Participaram do painel “Políticas Públicas Municipais voltadas às Pessoas com Deficiência” representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Luís e das secretarias municipais da Criança e Assistência Social, de Saúde e de Educação.

Deficiência

De acordo com o Censo 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 14,5% da população brasileira (aproximadamente 25 milhões pessoas) possuem algum tipo de deficiência ou limitação. No Maranhão, o percentual de pessoas com deficiência está acima da média nacional: mais de 16%. Em São Luís, são 13,5% da população com algum tipo de deficiência ou limitação. (Coordenação de Comunicação / MPMA)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Prefeitura inaugura Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas nesta quinta

A Prefeitura de São Luís, por intermédio da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), inaugura, nesta quinta-feira (30), às 9h, o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas – CAPS ad, no São Francisco. É a primeira unidade desse segmento a ser inaugurada pela gestão João Castelo, que elegeu a Saúde como uma de suas prioridades.

Considerando-se o aumento crescente da violência decorrente do uso e/ou dependência de substâncias psicoativas na cidade, o CAPS ad preencherá uma lacuna assistencial, sobretudo porque também atenderá o indivíduo em seu momento de reinserção social no sentido da prevenção e informação.

“O CAPS oferecerá atendimento gratuito às pessoas com transtornos e dependência de substâncias psicoativas, com acompanhamento clínico e promovendo a reinserção social do usuário ao trabalho, educação, lazer, fortalecendo os laços familiares e comunitários”, garantiu a secretária municipal de Saúde, Helena Duailibe Ferreira.

Uma equipe multiprofissional, formada por médicos, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e enfermeiros estará apta a prestar total atendimento ao paciente, não apenas nos momentos de crise, mas no dia-a-dia do tratamento.

Os pacientes atendidos pelo CAPS que não necessitam mais de cuidados, sejam intensivos, semi-intensivos ou não intensivos, terão a certeza de continuidade da assistência no âmbito da atenção básica e somente retornarão à Unidade para avaliação, caso seja preciso.

Segundo a coordenadora da Saúde Mental da Semus, Lisieux Carvalho Campos, o CAPS ad conta com uma boa estrutura física, com áreas de administração, enfermagem, sala de recuperação, farmácia, sala de repouso, cozinha, banheiros e o Serviço de Arquivo Médico e Estatístico (Same).

O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas – CAPS ad - fica localizado à rua das Figueiras Quadra 5, Nº 29, São Francisco. (Da Secom / Prefeitura de São Luís)

terça-feira, 21 de abril de 2009

Consumo de crack desafia autoridades e população

Consumo de crack desafia autoridades e população
O Jornal Hoje mostra flagrantes de jovens que consomem drogas no RJ e em SP.As imagens chamam a atenção para um dos maiores desafios do país: reprimir o tráfico e proteger milhares de jovens do vício.
César Galvão - São Paulo



O prefeito e a polícia saíram cedo para mostrar o combate ao crack na favela do Jacarezinho, no Rio. O caminho estava cheio de jovens pessoas que passaram a noite consumindo drogas. Às sete da manhã adolescentes fumavam maconha. Elas dizem que antes moravam em barracos debaixo do viaduto, destruídos pela prefeitura há duas semanas. Uma menina de 14 anos fica com uma pedra na mão para se defender de quem chega perto. A repórter Karina Borges consegue se aproximar e descobre que ela se prostitui só para comprar crack. “Usa todo dia, até morrer. Sou viciada desde oito anos de idade”, diz. Outra adolescente fez 18 anos. Há nove vive na rua. “Comecei no tiner, cola e agora o crack. Gasto muito dinheiro, mais de R$ 200”. Entre elas há uma grávida que também fuma crack. “Não sei de quanto tempo estou grávida. E também não sei de quem estou grávida”, diz ela.

Em São Paulo o problema é mais antigo. O crack é a droga mais consumida no centro da cidade. Traficantes e consumidores vivem em áreas comerciais. No feriado, quando as lojas não abrem, é possível ver a quantidade de dependentes espalhados pela rua. Na região conhecida como Cracolândia, a polícia cerca as ruas. Revista cada um que está na calçada, mas não encontra drogas. Por isso todos são liberados.

“Infelizmente a gente é obrigado a conviver. Eles trancam a rua, você não tem nem condições de andar na calçada”, declara Jeremias Estevez, morador. Ontem, na mesma rua, flagramos o consumo de crack nas mesmas calçadas. Crianças, adolescentes e adultos fumam crack durante todo o dia. A PM passa o tempo à procura dos traficantes, mas diz que o combate ao crack depende de ações sociais. A prefeitura de São Paulo fechou hotéis, bares e tenta revitalizar o espaço dominado pelo crack. Enquanto não consegue, o problema de saúde pública aumenta.

Um psiquiatra participa de um programa da Universidade Federal de São Paulo contra as drogas. Segundo ele, de cada dez viciados, no máximo três conseguem se recuperar. “Num indivíduo normal a área vermelha é bem distribuída (mostra as imagens) e já em um dependente de crack a distribuição é mais irregular, não chega tanto fluxo sanguíneo. A conseqüência é que no decorrer de um tempo de uso este individuo vai ter problemas de raciocínio, de concentração e será mais impulsivo”, comenta Marcelo Niel, psiquiatra UNIFESP.

A assessoria do prefeito do Rio, Eduardo Paes, informou que a ação de assistentes sociais é constante, mas, como os menores não são obrigados a ficar internados, acabam voltando para as ruas. A prefeitura de São Paulo informou que faz um trabalho permanente na região da nova luz, mas ressaltou que os encaminhamentos para tratamento não podem ser feitos sob coação.

observação do blog:

no link do jornal postado acima é possivel assitir a reportagem.
expressões como viciados, drogados ferem também a dignidade das pessoas.

sábado, 28 de março de 2009

II Seminário Criança Não é de Rua acontece amanhã

II Seminário Criança Não é de Rua acontece amanhã

26 de março de 2009 às 07:18
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Com o objetivo de discutir políticas públicas e debater como é feito o atendimento para esse público, acontece amanhã, 27, das 8h às 18h, no auditório da Faculdade de Arquitetura da Uema, o II Seminário Criança Não é de Rua. Durante todo o dia, gestores públicos e representantes de organizações da sociedade civil discutem o fenômeno da situação de rua, seus desdobramentos e as estratégias de intervenção.
A situação de rua é um dos casos de vulnerabilidade mais prejudiciais à criança e ao adolescente devido à condição peculiar de desenvolvimento na qual se encontram e por ser um fenômeno que aparece aliado a várias outras violações de direitos, como trabalho infantil, a violência doméstica e sexual, o uso de drogas e o envolvimento em atos infracionais.
O Seminário é realizado pela Rede Amiga da Criança em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Luís, a Fondation Terre des hommes e a Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site www.redeamigadacrianca.org.br.

terça-feira, 24 de março de 2009

TENDÊNCIAS/DEBATES / Ciência viciada

TENDÊNCIAS/DEBATES / Ciência viciada
Extraído de: Ministério Público do Estado do Paraná -

EM RECENTE defesa da descriminalização da maconha, Fernando Henrique Cardoso afirmou que o debate sobre a legalização das drogas enfrenta um tabu que precisa ser quebrado. Trata-se de miragem do ex-presidente, já que a descriminalização das drogas -incluindo a defesa explícita da legalização da maconha- não sai da pauta da imprensa e das universidades, permeando até os "temas transversais" do MEC, impostos às crianças nas escolas. Na prática, o uso de drogas já foi legalizado no país, com a bênção de tucanos e petistas -ideologicamente ecumênicos quando se trata de subverter costumes.

A lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006, que institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas, aboliu qualquer punição para os usuários. A pena máxima é a prestação de serviços à comunidade, que, se não for cumprida, acarreta simples "admoestação" por parte do juiz, até que o crime prescreva. E quem sofre as consequências é o bolso do contribuinte. Para a nova lei, consumir drogas é um direito inalienável do usuário, e curar sua dependência, um dever incondicional do Estado.
Essa tendência já havia sido antecipada pela Assembleia Legislativa de São Paulo, que, em 9 de fevereiro de 2006, derrubou veto do governador do Estado e, num arroubo de independência não muito comum no Parlamento brasileiro, promulgou, por decreto legislativo, a lei estadual nº 12.258, que confere privilégios aos usuários de drogas sem lhes impor nenhum dever. Essas leis nasceram de uma tese hegemônica nos meios acadêmicos: a política de redução de danos -eufemismo com que intelectuais universitários disfarçam sua apologia ao uso de drogas.
O brasileiro nem sonha, mas existe até a "Declaração dos Direitos dos Usuários de Drogas", que, obviamente, não foi feita por uma Constituinte de usuários, mas por acadêmicos financiados pelo contribuinte. Subscrita pelo Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), da Universidade Federal de São Paulo, a declaração finge-se arauto da ciência de ponta, mas não passa de entulho ideológico do Maio de 68. Nela se alicerçam a nova lei sobre drogas e as políticas do MEC e do Ministério da Saúde na área.
Professores universitários, a quem cabe a educação da juventude, proclamam, na referida declaração, o seguinte mandamento: "Conclamamos as organizações não governamentais e governamentais a incluir usuários de drogas em seus conselhos, gerências e direções". Ou seja, as universidades estão defendendo cotas para drogados nas mesas diretoras do Congresso, nos gabinetes ministeriais e nas cortes de Justiça. Deve ser por isso que os autores da de- claração condenam, veementemente, o exame antidoping.
Mas, enquanto não chega o mundo sonhado por essa espécie de "Manifesto Consumista" dos acadêmicos (versão lisérgica do "Manifesto Comunista" de Marx), a deputada Cida Diogo (PT-RJ), apoiada por Rita Camata (PMDB-ES), contenta-se em impor ao mundo real dos usuários do SUS os privilégios dos usuários de drogas. Cida Diogo é autora de projeto de lei que obriga o SUS a dar a eles, entre outros insumos, agulhas e seringas descartáveis. A expressão "outros insumos" abre brecha para que o SUS distribua a própria droga, como a maconha, usada como alternativa de redução de danos para viciados em crack. O projeto está sendo aprovado sem passar pelo plenário da Câmara, como se o luxo da distribuição de seringas para viciados não merecesse debate diante da miséria da falta de medicamentos para crianças nos postos de saúde.
Mais grave é que a atuação dos especialistas encarregados da redução de danos oscila entre a incapacidade e a inconsequência. O próprio Ministério da Saúde, em um texto sobre álcool e drogas recomendado em seu site para crianças de 12 anos, mistura vulgaridade, lascívia e imprecisão, ao comparar a "fissura" proporcionada pelo crack ao prazer do orgasmo -aguçando dupla e criminosamente a curiosidade das crianças. E ainda nega, taxativamente, que a cocaína produza tolerância e síndrome de abstinência, numa indisfarçável apologia da droga para menores, contrariando a lei e a ciência.
Eis, portanto, a danosa política de redução de danos. Ela se alicerça na crença pueril de que o drogado -useiro e vezeiro em escarnecer da lei, da pátria e da família- vai obedecer feito criança as recomendações dos engenheiros sociais. Ainda que quisesse fazê-lo, de nada adiantaria. A "Declaração dos Direitos dos Usuários de Drogas" é uma prova de que a ciência de muitos especialistas é mais alucinada do que delírio de viciado.
JOSÉ MARIA E SILVA
, 45, jornalista, é mestre em sociologia pela Universidade Federal de Goiás, com dissertação sobre violência nas escolas.
Fonte: Folha de S.Paulo
Autor: JOSÉ MARIA E SILVA

Fonte texto de Roberto Pereira/PAP/CEDUS


Repassando, materia postada por Roberto Pereira /FAP/CEDUS

"No meio do caminho há um bacilo, há um bacilo no meio do caminho"

A tuberculose (TB) é uma das enfermidades mais antigas do mundo. Mas não é uma doença do passado como muitos imaginam. Segundo estimativas da OMS, dois bilhões de pessoas, o que corresponde a um terço da população mundial, está infectada pelo Mycobacterium tuberculosis. Destes 8 milhões, desenvolverão a doença e 2 milhões morrerão a cada ano.

O Brasil ocupa o 16º entre os 22 países responsáveis por 80% do total de casos de tuberculose no mundo. Aproximadamente 10% dos pacientes com TB são também co-infectados pelo HIV, e a TB é a principal causa de morte de pacientes com Aids.

Estima-se uma prevalência de 50 milhões de infectados com cerca de 80.000 casos novos e uma alta taxa de 5.000 óbitos ocorrendo anualmente. A alta taxa de mortalidade por tuberculose uma doença que tem cura, esta associada ao diagnóstico tardio ou assistência de má qualidade

O Rio de Janeiro se destaca no quadro nacional por apresentar, historicamente, um das maiores incidências de tuberculose do país (90 / 100.000 habitantes). Anualmente são registrados 17 mil novos casos no estado, o que representa 20% das notificações no Brasil. Estima-se que 20% dos doentes não são diagnosticados, mantendo a cadeia de transmissão, e muitos casos somente são descobertos após a internação ou óbito. Além disso, por falta de informação e acompanhamento adequado, cerca de a 25% dos doentes abandonam o tratamento Na Rocinha, por exemplo, uma das áreas mais afetadas do município do Rio, seriam 50 casos novos por mês. Situação parecida vivem outras comunidades empobrecidas onde os determinantes sociais são decisivos na configuração desse quadro.

A cada dia a tuberculose continua a avançar de forma devastadora principalmente nos segmentos mais vulneráveis da população, crescendo acentuadamente nas periferias, nos bolsões de pobreza, entre a população de rua, encarcerados e pessoas vivendo com o HIV/AIDS.

Essa situação deve-se a fatores como: desigualdade social, concentração populacional e processo de urbanização desordenado, as más condições de vida das camadas mais pobres da população, além da desestruturação dos serviços públicos de saúde.

Em virtude da falta de informação, muitas pessoas não reconhecem os sintomas da doença, não procuram o serviço de saúde para o diagnóstico, e por falta de acompanhamento adequado abandonam o tratamento precocemente, contribuindo para a disseminação da doença e para que ela se torne mais resistente aos medicamentos. Ou seja, a falta de informação sobre a doença e a dificuldade de acesso a serviços de saúde contribuem para que a doença se alastre e, em muitos casos, torne-se fatal.

Uma grande parte dos doentes não são diagnosticados, mantendo a cadeia de transmissão, e muitos casos somente são descobertos após a internação nos hospitais de emergência ou óbito.
A situação é calamitosa em nosso estado/município, no que tange à questão dos TB-MRs, sobretudo, nos seguintes pontos: demora inadmissível dos resultados de testes de sensibilidade (muitos resultados chegam bem depois do término do tratamento); falta de apoiamento social adequado para estes pacientes, muitos deles em uso de esquemas falidos, mantendo, portanto, positividade do escarro e sem condições laborativas (seja por necessidade de biossegurança, seja por más condições clínicas).

Um dos problemas mais alarmantes relacionados à tuberculose é a co-infecção tuberculose-Aids, a tuberculose tem sido a primeira causa de óbitos em pessoas vivendo com HIV/Aids.
Parodiando Carlos Drummond de Andrade

"No meio do caminho há um bacilo, há um bacilo no meio do caminho"
___________________
24 de março
Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose
Centro de Educação Sexual - CEDUS
Av. General Justo, 275 - bloco 1 - 203/ A - Castelo
20021-130 - Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Tel: (21) 2544-2866 Telefax: (21) 2517-3293

sexta-feira, 13 de março de 2009

Santa Inês realizou Seminário sobre Redução de Danos a Usuários de Drogas.

Últimas Notícias
06 de abril de 2006 - Publicado por: Iracema
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Santa Inês realizou Seminário sobre Redução de Danos a Usuários de Drogas.

A Secretaria de Saúde através da Coordenação de DST/HIV/AIDS de Santa Inês, em parceria com o Grupo Solidariedade é Vida de São Luís, realizou nos dias 29, 30 e 31 no auditório da Prefeitura de Santa Inês, um Seminário sobre Redução de Danos a Usuários de Drogas.
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O seminário teve como objetivo, mostrar o grande número de usuários de drogas e as grandes conseqüências que as mesmas trazem a nossa sociedade, além de ressaltar, que os cidadãos podem intervir nestes danos, já que a droga é uma grande porta para a infecção de DST e AIDS. O ponto culminante foi a implantação de uma comissão interinstitucional do projeto em nosso município, norteando as ações da Secretaria de Saúde neste setor.

Os conferencistas foram o Coordenador do Projeto no Maranhão Sr. Patrício, o Presidente do Fórum AIDS do Estado Sr. Wendell, e o Coordenador Municipal de DST/AIDS de Santa Inês Sr. Claudean Reis.

O seminário foi voltado a várias instituições do município, como Escolas, Conselho Tutelar, Associações da Sociedade Civil, Conselho de Saúde, Universidade, PROERD, Polícia Militar, Cidadãos Soro Positivo, Assistência Social e Gerência Regional.

Santa Inês promoverá Oficina sobre Redução de Danos

Últimas Notícias
01 de agosto de 2006 - Publicado por: Iracema
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Santa Inês promoverá Oficina sobre Redução de Danos

A Secretária de Saúde irá promover nos dia 02 e 03 de agosto, no Sindicato dos Arrumadores, Rua Nova, Oficina sobre Redução de Danos, tendo como objetivo capacitar agentes redutores de danos que irão atuar em vários pontos da cidade como: prostíbulos, boca de fumo, bares conscientizando e dando informações à população de como minimizar os danos causados por certas ações.
O evento que está sendo coordenado pelo Sr. Claudean Serra dos Reis, Coordenador Municipal de DST/AIDS de Santa Inês, contará com a participação dos Agentes Comunitários de Saúde, Comissão Interinstitucional de Drogas, DST, HIV, AIDS e alguns professores, além do Srs. Patrício e Fernando Antonio do Grupo Solidariedade é Vida de São Luís.

Santa Inês envia representantes para Congresso em Recife.

Santa Inês envia representantes para Congresso em Recife.

A Secretaria Municipal de Saúde estará enviando dois representantes a Recife, no período de 18 a 24 de julho, para participarem do Congresso Social Brasileiro sobre DST/AIDS.

Estarão participando do evento Gedeão Lopes Valadares Conselheiro Tutelar e Oberdan de Carvalho Pessoa da Escola Darcy Ribeiro, membros da Comissão Interinstitucional formada no último Seminário sobre Redução de Danos a Usuários de Drogas.

Paralelo a este Congresso, estará acontecendo em São Luís, nos dias 17 e 18, no Hotel Premier na Ponta D’Areia, o encontro de 37 ONG’S da capital e interior no combate a AIDS.

O município de Santa Inês estará representado por Raimundo Nonato Pereira dos Santos (Grupo Ágape) Maria Lima dos Santos (CAESI - Conselho Assistencial dos Evangélicos de Santa Inês) Jairo Raposo (PROERD – Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência).

Santa Inês realiza a II Conferência Municipal de DST/AIDS e a I Conferência Regional dos Municípios.

Santa Inês realiza a II Conferência Municipal de DST/AIDS e a I Conferência Regional dos Municípios.

O Prefeito, Roberth Bringel, de acordo com as determinações legais que lhe confere a Lei Orgânica do Município, decretou em 16 de maio de 2006, A II Conferência Municipal de DST/AIDS, é o fórum de deliberação da Política de Saúde voltada para as DST/HIV/AIDS, conforme dispõe a Lei 8.142/90.

A II Conferência do Município e a I Conferência Regional, foi convocada pela Secretária Municipal de Saúde, Elizabeth Fernandes, através do Conselho Municipal de Saúde, constituindo-se em um foro de discussão e deliberação aberto a todos os segmentos da sociedade. Tendo como finalidade definir diretrizes para o aperfeiçoamento do Modelo de Atenção as DST/ AIDS no Município e Região, além de discutir sobre controle social nas esferas Municipal e Estadual e encaminhar as propostas para serem referendadas pelo Conselho Municipal e Estadual de Saúde.

A Conferência será realizada, sob a responsabilidade dos Conselhos Municipais de Saúde dos Municípios de Santa Inês, Pindaré, Monção, Bela Vista do Maranhão, Tufilândia, Pio XII e da Secretaria Municipal de Saúde de Santa Inês, através da Coordenação Municipal de DST/HIV/AIDS, nos dias 02 e 03 de junho de 2006 na Igreja Assembléia de Deus, localizada à Rua Nova, Centro, em Santa Inês. E terá como Tema Central: DST/AIDS NO SUS: compromissos e interfaces para a universalização e institucionalização.

Acompanhe a Programação:

Dia 02/06/2006

08:30 – Abertura

Formação da mesa com as autoridades presentes;
09:15 – O Programa Municipal de DST/AIDS em Santa Inês – Conquistas e Desafios

Palestrante: Dr. Claudean Serra Reis
Coordenador Municipal de DST/AIDS
Coordenadora Mesa: Marioneide Vieira Lima

Relatora: Olga Almeida
10:50 - Debate
10:00 – Redução de Danos

Palestrante: Patrício Barros
Grupo Solidariedade é Vida

Coordenador Mesa: Jairo Euton Raposo

Relatora: Diana Barros Rodrigues
10:45 - Debate
11:00 – Gênero, Raça e Etnia

Palestrante: Francisco das Chagas Vasconcelos Júnior
Secretário Geral do AGLS Santa Inês
Coordenadora Mesa: Maria de Jesus Barroso Carvalho

Relatora: Fárida Silva de Carvalho Rocha
11:45 – Debate
12:00 às 14:00 almoço
14:00 – Conjuntura Atual da Aids no País (aspectos sociais, políticos e econômicos);

Palestrante: Dra. Silvia Cristina Viana Silva Lima
Coordenadora Estadual de DST/HIV/AIDS
Coordenadora Mesa: Iderlânia Maria de Oliveira Sousa

Relatora: Maria Lima dos Santos
14:45 - Debate
15:00 – Direitos Humanos, Comunicação como Instrumento de Controle Social
Palestrante: WENDEL ALENCAR DE OLIVEIRA
Coordenador do Fórum Ong´s AIDS do Maranhão
Membro Titular Ong´s AIDS NE na CNAIDS
Ponto Focal da RNP + MA
Coordenador Mesa: Josino Alves Catarino Neto

Relatora: Alexandra Lima Costa
15:45 – Debate
16:00 às 16:30 – Intervalo
16:30 – Discussões em Grupos
17:45 - Encerramento

Dia 03/06/2006

08:00 – Plenária Final – Votação das Propostas
Eleição dos Delegados para a 2ª Conferência Estadual

11:00 – Encerramento

“Os líderes verdadeiros são gente comum com uma determinação incomum.” (John Woonden)

Solidariedade é Vida promove Seminário sobre Sífilis e Hepatites

Solidariedade é Vida promove Seminário sobre Sífilis e Hepatites



Data de Publicação: 20 de outubro de 2006
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Como parte das atividades do Dia Nacional de Combate à Sífilis, comemorado em todo o Brasil no dia 21 de outubro, o Grupo Solidariedade é Vida, realizará nesse dia, das 8 às 12 horas, no Terreiro de Mina Yemanjá, à Rua Santo Antônio, 45, Bairro Fé em Deus, o I Seminário de Redução de Danos para Sífilis Congênita e Hepatites Virais.

O objetivo da mobilização é diminuir entre as pessoas, o estigma em relação às doenças sexualmente transmissíveis e aumentar o debate sobre o assunto, visando eliminar a sífilis congênita até 2010.

De acordo com o coordenador do evento, Patrício Barros, serão realizadas sessões de vacinas de hepatites; medição de pressão nas pessoas da comunidade; distribuição de preservativos, folhetos; aconselhamento para a realização do teste anti-sífilis em gestantes, além das palestras, Sífilis Congênita e transmissão vertical e Redução X Hepatites, a serem proferidas pelas autoridades nos assuntos, Dra. Oswaldina Mota, do Programa Estadual de Dst/Aids e Dra. Jacira Helena, do Programa Municipal de Hepatites Virais.

O Dia Nacional de Combate à Sífilis foi lançado no VI Congresso da SBDST e no II Congresso Brasileiro de Aids, no mês de setembro de 2006, em Santos-SP.

A sífilis é uma doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum e pode ser transmitida por meio de relações sexuais sem preservativos, transfusão de sangue contaminado e da mãe para o bebê, durante a gestação e o parto. É quatro vezes mais freqüente nas gestantes do que a infecção pelo HIV. Estima-se que, a cada ano, 48 mil gestantes estejam infectadas pela doença no país. Desse total, aproximadamente 12 mil crianças adquirem sífilis congênita.

A doença tem cura se for tratada tanto na gestante como em seu parceiro de forma adequada, interrompendo-se assim o ciclo da doença e evitando a transmissão para o bebê.