TV mostra tratamento da saúde mental no Brasil
Programa especial reúne casos e meios de atendimento psiquiátrico, revelando que, nos últimos 20 anos, 70% dos leitos destinados a pacientes com doença mental foram fechados
Pacientes do Hospital Pronto Atendimento Psiquiátrico, no Distrito Federal, participam do programa (foto, em preto e branco, com pessoas atrás de uma tela de arame vestidas com roupas hospitalares brancas - informe para pessoas cegas - Def\Net)
O programa Inclusão, da TV Senado, apresenta neste fim de semana reportagem especial sobre transtorno mental, uma continuação do programa levado ao ar em abril sobre a incidência do problema em crianças e adolescentes. Estima-se que o país tenha hoje 17 milhões de pessoas com algum tipo de transtorno mental.
O especial mostra iniciativas voltadas para o tratamento dos diferentes transtornos, sendo que, no Brasil, os casos mais comuns são os de esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo e depressão. Do total de doentes, 12% apresentam problemas psiquiátricos graves e necessitam de atendimento contínuo.
A diretora e apresentadora do Inclusão, Solange Calmon, reuniu exemplos desses tratamentos, como o trabalho da médica Nise da Silveira – que nas décadas de 1950 e 1960 revolucionou a psiquiatria ao substituir os tratamentos de choque; o programa De Volta pra Casa, do Ministério da Saúde, que oferece uma bolsa para egressos de longas internações; o Instituto de Saúde Mental, do Distrito Federal; e o Museu da Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro.
O Inclusão aborda ainda outras ações governamentais, como os centros de atenção psicossocial (Caps), previstos na lei da reforma psiquiátrica em vigor desde 2001. Mostra também a carência desses serviços: hoje, dos 1.394 centros existentes no Brasil, apenas 40 unidades têm capacidade para internar pacientes em crise.
Além disso, o programa registra que, nos últimos 20 anos, quase 70% dos leitos psiquiátricos do país foram fechados – segundo o Ministério da Saúde, o atendimento à saúde mental conta com apenas 2% do orçamento anual do Sistema Único de Saúde (SUS).
A programação completa da TV Senado pode ser acessada pela página da emissora na internet (www.senado.gov.br/tv). A emissora também está no Twitter, com o endereço http://twitter.com/tvsenado.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Produção e consumo de cocaína registra redução mundial
Produção e consumo de cocaína registra redução mundial
Da France Presse
VIENA, Áustria, 24 Jun 2009 (AFP) - A produção e o consumo de heroína, cocaína e maconha tendem a uma redução no mundo, enquanto que o ecstasy e as drogas sintéticas proliferam nos países em desenvolvimento, assinala um relatório anual do Agência das Nações Unidas contra a Droga e o Delito (ONUDC) publicado nesta quarta-feira.
"Os mercados mundiais de cocaína, opiáceos e maconha estão estabilizados ou em declive, mas se teme uma alta da produção e da utilização de drogas sintéticas nos países em desenvolvimento", alerta a ONUDC.
Dessa forma, o cultivo de ópio caiu no ano passado ao nível de 2006, graças a um retrocesso de 19% das superfícies cultivadas na Afeganistão, país que produz 93% do ópio do mundo. Isso se traduz, por causa do aumento do rendimento, numa baixa de 6% da produção, ou 7,7 milhões de toneladas.
Do mesmo modo, a produção mundial de cocaína caiu ao menor nível em cinco anos graças, principalmente, a uma redução de 18% das superfícies cultivadas e de 28% da produção efetiva na Colômbia, produtor da metade da cocaína em circulação no mundo.
"Os níveis de pureza e de apreensão diminuem nos principais países consumidores (América do Norte e a Europa), os preços aumentam", destacou o diretor executivo da ONUDC, Antonio María Costa, acrescentando que os cartéis da droga enfrentam um mercado que se reduz na América Central.
O consumo de cocaína, cujo mercado mundial está avaliado em 70 bilhões de dólares, tende a diminuir na América do Norte e se estabilizou pela primeira vez na Europa Ocidental.
No que diz respeito à maconha, o entorpecente mais consumido no mundo, a produção e o consumo de estabilizaram, mas cresce a concentração de THC, sua substância ativa.
O mais preocupante, assinala o informe, é que a produção de drogas sintéticas entrou num nível industrial na região do Mekong, sudeste asiático, de cujos laboratórios saem grandes quantidades de metanfetaminas, cristal meth e outras substâncias como a quetamina.
A agência calcula em 41% o volume de cocaína apreendida no mundo para 19% de opiáceos. Na liderança estão o Irã, importante país de trânsito com 84% das apreensões mundiais de ópio e 28% da heroína em 2007, segundo as mais recentes cifars da ONUDC.
Reconhecendo que a intensificação da repressão do mercado da droga "gerou um mercado ilícito de amplitude macroeconômica que recorre à violência e alimenta a corrupção", Antonio María Costa adverte contra qualquer legalização destas substâncias, por considerar que isto seria "um erro histórico".
"As drogas representam um perigo para a saúde. Por esse motivo, estão e devem continuar sendo proibidas", enfatizou, acrescentando que é preciso lutar em primeiro lugar contra os traficantes e não contra os consumidores.
"As pessoas que consomem droga precisam de uma ajuda médica e não um tratamento penal", declarou Costa, acrescentando que a prisão dos dependentes representa, para a polícia, um desperdício de dinheiro em detrimento da luta contra os traficantes.
phs/cn/fp
Da France Presse
VIENA, Áustria, 24 Jun 2009 (AFP) - A produção e o consumo de heroína, cocaína e maconha tendem a uma redução no mundo, enquanto que o ecstasy e as drogas sintéticas proliferam nos países em desenvolvimento, assinala um relatório anual do Agência das Nações Unidas contra a Droga e o Delito (ONUDC) publicado nesta quarta-feira.
"Os mercados mundiais de cocaína, opiáceos e maconha estão estabilizados ou em declive, mas se teme uma alta da produção e da utilização de drogas sintéticas nos países em desenvolvimento", alerta a ONUDC.
Dessa forma, o cultivo de ópio caiu no ano passado ao nível de 2006, graças a um retrocesso de 19% das superfícies cultivadas na Afeganistão, país que produz 93% do ópio do mundo. Isso se traduz, por causa do aumento do rendimento, numa baixa de 6% da produção, ou 7,7 milhões de toneladas.
Do mesmo modo, a produção mundial de cocaína caiu ao menor nível em cinco anos graças, principalmente, a uma redução de 18% das superfícies cultivadas e de 28% da produção efetiva na Colômbia, produtor da metade da cocaína em circulação no mundo.
"Os níveis de pureza e de apreensão diminuem nos principais países consumidores (América do Norte e a Europa), os preços aumentam", destacou o diretor executivo da ONUDC, Antonio María Costa, acrescentando que os cartéis da droga enfrentam um mercado que se reduz na América Central.
O consumo de cocaína, cujo mercado mundial está avaliado em 70 bilhões de dólares, tende a diminuir na América do Norte e se estabilizou pela primeira vez na Europa Ocidental.
No que diz respeito à maconha, o entorpecente mais consumido no mundo, a produção e o consumo de estabilizaram, mas cresce a concentração de THC, sua substância ativa.
O mais preocupante, assinala o informe, é que a produção de drogas sintéticas entrou num nível industrial na região do Mekong, sudeste asiático, de cujos laboratórios saem grandes quantidades de metanfetaminas, cristal meth e outras substâncias como a quetamina.
A agência calcula em 41% o volume de cocaína apreendida no mundo para 19% de opiáceos. Na liderança estão o Irã, importante país de trânsito com 84% das apreensões mundiais de ópio e 28% da heroína em 2007, segundo as mais recentes cifars da ONUDC.
Reconhecendo que a intensificação da repressão do mercado da droga "gerou um mercado ilícito de amplitude macroeconômica que recorre à violência e alimenta a corrupção", Antonio María Costa adverte contra qualquer legalização destas substâncias, por considerar que isto seria "um erro histórico".
"As drogas representam um perigo para a saúde. Por esse motivo, estão e devem continuar sendo proibidas", enfatizou, acrescentando que é preciso lutar em primeiro lugar contra os traficantes e não contra os consumidores.
"As pessoas que consomem droga precisam de uma ajuda médica e não um tratamento penal", declarou Costa, acrescentando que a prisão dos dependentes representa, para a polícia, um desperdício de dinheiro em detrimento da luta contra os traficantes.
phs/cn/fp
sábado, 20 de junho de 2009
Jovens de 15 a 24 anos têm comportamento mais seguro
Jovens de 15 a 24 anos têm comportamento mais seguro
Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Os jovens estão mais atentos em relação ao uso do preservativo. Entre aqueles que têm de 15 a 24 anos, 64,6% usaram preservativo na primeira relação sexual, enquanto na população de 15 a 64 anos, menos da metade das pessoas (46,5%) fazem uso do preservativo em todas as relações sexuais.
Na primeira relação sexual entre os jovens de 15 a 24 anos, o uso do preservativo varia de quase 70%, no Sul; a 52%, no Nordeste. No Sudeste, o índice é de 64,6%; no Centro-Oeste, de 64,4%; e no Norte, de 56,1%.
Os jovens de 15 a 24 anos de idade demonstram mais atitude em relação às doenças sexualmente transmissíveis. Eles têm comportamento mais seguro quando comparados às outras faixas etárias, usando mais o preservativo em todas as situações. Na última relação sexual com parceiros casuais, por exemplo, 68% deles usaram preservativo, enquanto entre os maiores de 50 anos, a proporção não chega a 38%.
Parceiros fixos
Com parceiros fixos, 30,7% dos jovens costumam fazer uso da camisinha. Entre aqueles de 25 a 49 anos, só 16,6% adotam a mesma prática. Acima de 50 anos, o percentual cai para 10%. Isso pode ser um reflexo das campanhas dirigidas para o público e do envolvimento das escolas nas atividades de prevenção às DST e Aids.
– A relação do jovem com o preservativo é mais habitual – avalia Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde.
De acordo com a diretora, o problema é que, quando se estabelece a confiança entre eles, o uso do preservativo deixa de ser prioridade, em especial, para as meninas.
Serviço público
O acesso a camisinha é mais um avanço apontado pela pesquisa. Os jovens são os que mais pegam preservativos nos serviços de saúde (37,5%). Entre aqueles que têm de 25 a 49 anos, o percentual é de 27% e, acima dos 50 anos, de 10,7%. Além disso, existe um considerável número de jovens (17%) que retiram o preservativo em suas escolas.
Em 2003, os ministérios da Saúde e da Educação implantaram o programa Saúde e Prevenção nas Escolas. A iniciativa – presente em mais de 50 mil escolas públicas de todo o país – também disponibiliza preservativo à comunidade escolar.
– O jovem está aberto, preocupado com sua saúde. E a escola é um espaço adequado para que os estudantes se conscientizem sobre a importância do uso da camisinha e da prevenção das DSTs – conclui Mariângela.
22:15 - 18/06/2009
Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Os jovens estão mais atentos em relação ao uso do preservativo. Entre aqueles que têm de 15 a 24 anos, 64,6% usaram preservativo na primeira relação sexual, enquanto na população de 15 a 64 anos, menos da metade das pessoas (46,5%) fazem uso do preservativo em todas as relações sexuais.
Na primeira relação sexual entre os jovens de 15 a 24 anos, o uso do preservativo varia de quase 70%, no Sul; a 52%, no Nordeste. No Sudeste, o índice é de 64,6%; no Centro-Oeste, de 64,4%; e no Norte, de 56,1%.
Os jovens de 15 a 24 anos de idade demonstram mais atitude em relação às doenças sexualmente transmissíveis. Eles têm comportamento mais seguro quando comparados às outras faixas etárias, usando mais o preservativo em todas as situações. Na última relação sexual com parceiros casuais, por exemplo, 68% deles usaram preservativo, enquanto entre os maiores de 50 anos, a proporção não chega a 38%.
Parceiros fixos
Com parceiros fixos, 30,7% dos jovens costumam fazer uso da camisinha. Entre aqueles de 25 a 49 anos, só 16,6% adotam a mesma prática. Acima de 50 anos, o percentual cai para 10%. Isso pode ser um reflexo das campanhas dirigidas para o público e do envolvimento das escolas nas atividades de prevenção às DST e Aids.
– A relação do jovem com o preservativo é mais habitual – avalia Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde.
De acordo com a diretora, o problema é que, quando se estabelece a confiança entre eles, o uso do preservativo deixa de ser prioridade, em especial, para as meninas.
Serviço público
O acesso a camisinha é mais um avanço apontado pela pesquisa. Os jovens são os que mais pegam preservativos nos serviços de saúde (37,5%). Entre aqueles que têm de 25 a 49 anos, o percentual é de 27% e, acima dos 50 anos, de 10,7%. Além disso, existe um considerável número de jovens (17%) que retiram o preservativo em suas escolas.
Em 2003, os ministérios da Saúde e da Educação implantaram o programa Saúde e Prevenção nas Escolas. A iniciativa – presente em mais de 50 mil escolas públicas de todo o país – também disponibiliza preservativo à comunidade escolar.
– O jovem está aberto, preocupado com sua saúde. E a escola é um espaço adequado para que os estudantes se conscientizem sobre a importância do uso da camisinha e da prevenção das DSTs – conclui Mariângela.
22:15 - 18/06/2009
Sexualidade: Temporão alerta para dados preocupantes
Sexualidade: Temporão alerta para dados preocupantes
Jornal do Brasil
BRASÍLIA - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, demonstrou preocupação com alguns dos dados revelados pela Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade (PCAP - 2008).
– As pessoas estão se relacionamento mais com parceiros e parceiras casuais. E o Ministério da Saúde não pode fechar os olhos – advertiu Temporão.
Ao comentar o estudo, o ministro afirmou que a pasta está trabalhando em redes de relacionamento para informar usuários sobre métodos de prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis, tendo em vista o crescimento do número de brasileiros que conhecem parceiros por meio da internet. Para Temporão, os dados mostram que a população está bem-informada, mas que “o problema está longe de ser resolvido”:
– Algumas coisas nos preocupam. Precisamos de estratégias articuladas – disse, ao lembrar que o Brasil registra 33 mil novos casos de contaminação pelo vírus HIV a cada ano. – O tratamento, apesar de absolutamente necessário, não resolve todos os problemas. Não podemos cair na banalizaçao da doença.
Gratuidade
Entre os pontos positivos, Temporão destacou que 33% da população usa preservativos fornecidos gratuitamente pelo governo. Segundo ele, as escolas são o segundo local de maior distribuição de camisinhas. Para o ministro, uma mudança no comportamento sexual depende de informação, tecnologia e também de opção pessoal.
– Não é possível normatizar o desejo da sociedade – avaliou o ministro, ao acrescentar que, quando o assunto é sexo, a atitude das pessoas “faz a diferença”. (Com agências)
22:17 - 18/06/2009
Jornal do Brasil
BRASÍLIA - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, demonstrou preocupação com alguns dos dados revelados pela Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade (PCAP - 2008).
– As pessoas estão se relacionamento mais com parceiros e parceiras casuais. E o Ministério da Saúde não pode fechar os olhos – advertiu Temporão.
Ao comentar o estudo, o ministro afirmou que a pasta está trabalhando em redes de relacionamento para informar usuários sobre métodos de prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis, tendo em vista o crescimento do número de brasileiros que conhecem parceiros por meio da internet. Para Temporão, os dados mostram que a população está bem-informada, mas que “o problema está longe de ser resolvido”:
– Algumas coisas nos preocupam. Precisamos de estratégias articuladas – disse, ao lembrar que o Brasil registra 33 mil novos casos de contaminação pelo vírus HIV a cada ano. – O tratamento, apesar de absolutamente necessário, não resolve todos os problemas. Não podemos cair na banalizaçao da doença.
Gratuidade
Entre os pontos positivos, Temporão destacou que 33% da população usa preservativos fornecidos gratuitamente pelo governo. Segundo ele, as escolas são o segundo local de maior distribuição de camisinhas. Para o ministro, uma mudança no comportamento sexual depende de informação, tecnologia e também de opção pessoal.
– Não é possível normatizar o desejo da sociedade – avaliou o ministro, ao acrescentar que, quando o assunto é sexo, a atitude das pessoas “faz a diferença”. (Com agências)
22:17 - 18/06/2009
Preservativo faz parte do universo de geração que vive o medo do HIV
Preservativo faz parte do universo de geração que vive o medo do HIV
João Pequeno, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Números do Ministério da Saúde que mostram uso mais frequente de preservativo nas relações sexuais pelos jovens refletem, entre outros fatores, o mundo em que cresceram, com informação constante sobre o vírus HIV. Ao todo, 32,7% dos entrevistados de 15 a 24 anos disseram ter usado camisinha em todas as relações sexuais nos últimos 12 meses, contra 17,2% de 25 a 49 anos e 10,5% de 50 a 64. Mas fatores como relacionamentos fixos ainda motivam o sexo desprotegido.
A Aids despontava nas preocupações mundiais por volta de 1984, ano em que nasceu a estudante de museologia Beatriz Albuquerque. Aos 25 anos, completados em abril, ela ainda estava na faixa mais jovem analisada pelo ministério quando teve a relação sexual mais recente, com seu ex.
O rompimento, além do namoro, acabou com a confiança estabelecida em dois anos de relação que a levaram a abrir mão da camisinha algumas vezes.
– Com o tempo, a gente forma uma confiança que acaba junto com o namoro. Aí, todos os medos vêm de uma vez só – lembra Beatriz, que fez teste de HIV e “deu tudo certo”. – Também temi engravidar, mesmo tomando pílula – acrescenta.
Além da Aids, Beatriz pensa em outras doenças, mais comentadas recentemente, segundo ela.
– Minha geração mudou. Antigamente, só se falava em HIV; hoje, acho que as mulheres já estão mais conscientes sobre outros riscos, como o HPV (vírus que aumenta o risco de câncer) – avalia.
Há 10 anos, a estudante de museologia tinha aula de educação sexual na escola, mas aprendeu mesmo sobre prevenção com as amigas – e as mães das amigas.
– Era normal ouvir que “a filha de fulano teve neném”. A gente via adolescentes de 15, 16 anos, como nós, engravidando e sentia que precisava se proteger.
Uma conhecida, que engravidou aos 16, serviu de exemplo do que Beatriz não queria para si:
– Ela acabou saindo do ciclo de amizades, porque nunca podia sair para os mesmos lugares, além de ter se atrasado nos estudos – lembra.
Para o programador de internet Rodrigo Sousa, 23, usar preservativo virou “um hábito tão grande, que já não consigo me comportar de outra forma”. Foi assim desde a primeira vez, aos 16 anos, quando, para driblar a clássica dificuldade de homens inexperientes com a camisinha, treinou antes.
– Praticava sozinho antes de usar “para valer” – lembra Rodrigo, assumindo que esse reflexo condicionado entre sexo e preservativo também pode falhar.
– Fiquei com uma menina numa festa e não tinha nenhuma camisinha, nem condição de sair para comprar, lá na Barra da Tijuca, onde tudo é longe. Depois (da relação sexual), veio o medo. Quem está acostumado a se sentir seguro, protegido, como eu, quando não está, acaba ficando muito mais grilado – diz Rodrigo que, por via das dúvidas, fez teste de HIV (“Tudo OK”) e passou a sempre levar camisinha para casos de situações similares.
A pesquisa também apontou que 10,3% dos homens fizeram sexo nos últimos 12 meses com pessoas que conheceram na internet – mais que o dobro das mulheres (4,1%), diferença que traduz um fenômeno comum entre os gays.
R.F., que em salas de bate-papo usa o pseudônimo Bochecha Marrom, diz que “na internet rola de tudo, inclusive homens casados, que querem ser passivos” e que é “muito objetivo”.
– Eu marco com o cara e, se um gostar do outro, vamos logo para o motel – resume, ponderando que se previne. – Só rola se ele usar preservativo.
Colaborou Camilla Lopes
22:25 - 18/06/2009
João Pequeno, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Números do Ministério da Saúde que mostram uso mais frequente de preservativo nas relações sexuais pelos jovens refletem, entre outros fatores, o mundo em que cresceram, com informação constante sobre o vírus HIV. Ao todo, 32,7% dos entrevistados de 15 a 24 anos disseram ter usado camisinha em todas as relações sexuais nos últimos 12 meses, contra 17,2% de 25 a 49 anos e 10,5% de 50 a 64. Mas fatores como relacionamentos fixos ainda motivam o sexo desprotegido.
A Aids despontava nas preocupações mundiais por volta de 1984, ano em que nasceu a estudante de museologia Beatriz Albuquerque. Aos 25 anos, completados em abril, ela ainda estava na faixa mais jovem analisada pelo ministério quando teve a relação sexual mais recente, com seu ex.
O rompimento, além do namoro, acabou com a confiança estabelecida em dois anos de relação que a levaram a abrir mão da camisinha algumas vezes.
– Com o tempo, a gente forma uma confiança que acaba junto com o namoro. Aí, todos os medos vêm de uma vez só – lembra Beatriz, que fez teste de HIV e “deu tudo certo”. – Também temi engravidar, mesmo tomando pílula – acrescenta.
Além da Aids, Beatriz pensa em outras doenças, mais comentadas recentemente, segundo ela.
– Minha geração mudou. Antigamente, só se falava em HIV; hoje, acho que as mulheres já estão mais conscientes sobre outros riscos, como o HPV (vírus que aumenta o risco de câncer) – avalia.
Há 10 anos, a estudante de museologia tinha aula de educação sexual na escola, mas aprendeu mesmo sobre prevenção com as amigas – e as mães das amigas.
– Era normal ouvir que “a filha de fulano teve neném”. A gente via adolescentes de 15, 16 anos, como nós, engravidando e sentia que precisava se proteger.
Uma conhecida, que engravidou aos 16, serviu de exemplo do que Beatriz não queria para si:
– Ela acabou saindo do ciclo de amizades, porque nunca podia sair para os mesmos lugares, além de ter se atrasado nos estudos – lembra.
Para o programador de internet Rodrigo Sousa, 23, usar preservativo virou “um hábito tão grande, que já não consigo me comportar de outra forma”. Foi assim desde a primeira vez, aos 16 anos, quando, para driblar a clássica dificuldade de homens inexperientes com a camisinha, treinou antes.
– Praticava sozinho antes de usar “para valer” – lembra Rodrigo, assumindo que esse reflexo condicionado entre sexo e preservativo também pode falhar.
– Fiquei com uma menina numa festa e não tinha nenhuma camisinha, nem condição de sair para comprar, lá na Barra da Tijuca, onde tudo é longe. Depois (da relação sexual), veio o medo. Quem está acostumado a se sentir seguro, protegido, como eu, quando não está, acaba ficando muito mais grilado – diz Rodrigo que, por via das dúvidas, fez teste de HIV (“Tudo OK”) e passou a sempre levar camisinha para casos de situações similares.
A pesquisa também apontou que 10,3% dos homens fizeram sexo nos últimos 12 meses com pessoas que conheceram na internet – mais que o dobro das mulheres (4,1%), diferença que traduz um fenômeno comum entre os gays.
R.F., que em salas de bate-papo usa o pseudônimo Bochecha Marrom, diz que “na internet rola de tudo, inclusive homens casados, que querem ser passivos” e que é “muito objetivo”.
– Eu marco com o cara e, se um gostar do outro, vamos logo para o motel – resume, ponderando que se previne. – Só rola se ele usar preservativo.
Colaborou Camilla Lopes
22:25 - 18/06/2009
18/06/2009 , às 13h08
MS divulga retrato do comportamento sexual do brasileiro
Foram realizadas 8 mil entrevistas com homens e mulheres entre 15 e 64 anos. A análise das informações auxiliará na execução e na avaliação da política para a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis
O Ministério da Saúde acaba de concluir a maior pesquisa já realizada sobre comportamento sexual do brasileiro. Entre os meses de setembro e novembro de 2008, pesquisadores percorreram as cinco regiões do país para fazer 8 mil entrevistas com homens e mulheres entre 15 e 64 anos. A análise das informações auxiliará na execução e na avaliação da política para a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com o estudo, 77% dessa população (66,7 milhões) teve relações sexuais nos 12 meses que antecederam a pesquisa.
“Uma coisa nova, que surge, é a Internet como espaço de encontro, o que vai exigir do governo novas estratégias, novas abordagens para lidar com essa realidade”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na apresentação do estudo, que contou com a participação do secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, e da diretora do Departamento de DST/Aids do Ministério, Mariângela Simão. “Em sites de relacionamento, orkut, blogs e outros espaços na rede mundial de computadores o Ministério vai ter de entrar e levar informações, discutir, entrar em debates. Qual é a informação central? Não pode haver relacionamento sem uso de preservativo. O preservativo é a maneira mais segura de se prevenir a infecção com o vírus HIV”.
Temporão salientou que, a cada ano, há 33 mil novos casos de HIV no Brasil. “Um estudo recente mostra que, a cada dois casos diagnosticados que iniciaram o tratamento, existem cinco outros que não foram ainda diagnosticados”, observou, alertando sobre as mudanças de comportamento visualizadas a partir da pesquisa.
As principais diferenças de comportamento estão entre homens e mulheres. Entre eles, 13,2% tiveram mais de cinco parceiros casuais no ano anterior à pesquisa; entre elas, esse índice é três vezes menor (4,1%). 10% deles tiveram, pelo menos, um parceiro do mesmo sexo na vida, enquanto só 5,2% delas já fizeram sexo com outras mulheres. A vida sexual deles também começa mais cedo – 36,9% deles tiveram relações sexuais antes dos 15 anos; entre elas esse índice cai para menos da metade, 17%. A pesquisa traz ainda recortes por escolaridade e região. Nesses dois casos, não há diferenças estatísticas relevantes.
“Temos de redobrar a disseminação de informação, a educação, a disponibilização gratuita de preservativos. O Ministério está comprando um bilhão de camisinhas, neste momento, para ampliar o acesso”, pontuou o ministro, sobre a prevenção ao HIV. “A pesquisa já levanta o alerta de que principalmente os mais jovens estão usando, e as pessoas de mais idade estão usando menos. Evidentemente, toda essa informação apurada a partir da pesquisa é um material fundamental para o Ministério poder rever suas políticas e suas estratégias no enfrentamento da doença”.
Temporão defendeu, ainda, que não se banalize a doença. “Isso é um risco sempre presente. À medida em que você avança e conquista um patamar diferenciado no tratamento, com o uso do coquetel – o que melhora profundamente não só a sobrevida como a qualidade de vida –, há sempre um risco de banalização, de se pensar que essa doença é tratável e que basta tomar o remédio e está tudo bem”, disse o ministro. “Isso não é verdade. Nós sabemos que é muito melhor viver sem a doença do que com a doença”.
Indicadores de comportamento sexual da população
sexualmente ativa entre 15 e 64 anos, por sexo (em%)
Indicador Homens Mulheres Total
Relações sexuais nos últimos 12 meses 81 73,7 77,3
Relações sexuais antes dos 15 anos 36,9 17 26,8
Mais de 10 parceiros na vida 40,1 10,9 25,3
Mais de 5 parceiros casuais no último ano 13,2 4,1 8,8
Relação sexual com pessoa do mesmo sexo, na vida 10 5,2 7,6
Pelo menos um parceiro fixo nos últimos 12 meses 84,2 89 86,5
Pelo menos um parceiro casual nos últimos 12 meses 36,8 18,5 27,9
Pelo menos um parceiro que conheceu pela internet nos últimos 12 meses 10,3 4,1 7,3
Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008
SEXO PROTEGIDO – A pesquisa constatou ainda que quase metade da população (45,7%) faz uso consistente do preservativo com seus parceiros casuais (usou em todas as relações eventuais nos últimos 12 meses). As principais diferenças estão entre homens e mulheres e por faixa etária. Homens usam mais preservativos que as mulheres em todas as situações. Os jovens são os que mais fazem sexo protegido em relação aos mais velhos (veja texto anexo). A análise dos dados com recorte de região e de escolaridade não mostra diferenças significativas.
Uso do preservativo na população sexualmente ativa entre
15 e 64 anos, por sexo (em%)
Uso do preservativo Homens Mulheres Total
Na primeira relação sexual (15 a 24 anos) 63,8 57,6 60,9
Na última relação sexual dos últimos 12 meses 40,2 29,7 35,1
Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses 65,1 45,5 58,8
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos 21,5 17,3 19,4
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais 51,0 34,6 45,7
Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008.
Uso do preservativo na população sexualmente ativa
entre 15 e 64 anos, segundo faixa etária, em 2008 (em%)
Uso de preservativo 15-24 25-49 50-64 15-64 (Total)
Na primeira relação sexual (15 a 24 anos) 60,9 - - 60,9
Na última relação sexual dos últimos 12 meses 55,0 30,2 16,4 35,1
Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses 67,8 54,4 37,9 58,8
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com qualquer parceiro 32,6 17,2 10,5 20,6
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos 30,7 16,6 10,0 19,4
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais 49,6 44,6 32,0 45,7
Fonte: Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos, 2008
INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO – A população brasileira possui um elevado índice de conhecimento sobre as formas de infecção e de prevenção da aids – mais de 95% da população sabe que o uso do preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV. O conhecimento é maior entre pessoas de maior escolaridade. Mas mesmo entre aqueles com primário incompleto, o preservativo é bastante conhecido. Além disso, 90% dos brasileiros afirmaram saber que a aids ainda não tem cura. Não há diferenças relevantes sobre o conhecimento entre as regiões nem entre os sexos.
Percentual (%) de indivíduos com idade entre 15 e 64 anos, com conhecimento correto sobre as formas de transmissão do HIV, por escolaridade. Brasil, 2008
Formas de transmissão Primário Incompleto Primário Completo e Fundamental Incompleto Fundamental Completo Total
Sabe que uma pessoa com aparência saudável pode estar infectado pelo HIV 81,2 91,6 96,6 92,0
Acha que ter parceiro fiel e não infectado reduz o risco de transmissão do HIV 78,6 81,5 80,2 80,5
Sabe que o uso de preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV 95,2 96,9 96,9 96,6
Sabe que pode ser infectado ao compartilhar de seringa 85,1 88,6 96,0 91,2
Sabe que pode ser infectado nas relações sexuais sem preservativo 92,2 95,9 96,8 95,7
Sabe que não que existe cura para a aids 90,6 93,1 95,3 93,6
Fonte: Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos, 2008
Esse é um dos índices mais elevados do mundo. Pesquisa realizada em 64 países indicou que 40% dos homens e 38% das mulheres de 15 a 24 anos tinham conhecimento exato sobre como evitar a transmissão do HIV. Além disso, dados do relatório da Assembléia Geral das Nações Unidas em HIV/Aids (UNGASS) de 2008 apontam que, no mundo, há diferenças importantes entre os sexos: pouco mais de 70% dos homens jovens sabem que usar preservativo é uma estratégia de prevenção eficaz contra a transmissão do HIV. Entre as mulheres, são apenas 55%.
MAIS EXPOSTOS – A comparação dos resultados da PCAP 2008 com os da mesma pesquisa realizada em 2004 acenderam o alerta para o Ministério da Saúde. O brasileiro tem feito mais sexo casual. Em 2004, 4% das pessoas haviam tido mais de cinco parceiros casuais no ano anterior. Em 2008, esse índice foi mais que o dobro, passando para 9,3%. Ao lado disso, o conhecimento sobre os riscos de se infectar com o HIV e sobre as formas de prevenção continuam altos. Mesmo assim, a pesquisa identificou uma tendência queda no uso do preservativo. Passou de 51,6% em todas as parcerias eventuais, em 2004, para 46,5% em 2008.
Indicadores de comportamento sexual da
população sexualmente ativa, em 2004 e 2008 (em %)
Indicador 2004 2008
Relações sexuais nos últimos 12 meses 81,4 79,0
Relações sexuais antes dos 15 anos 25,2 27,7
Mais de 10 parceiros na vida 19,3 25,9
Mais de 5 parceiros casuais no último ano 4,0 9,3
Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 54 anos de idade, 2004; Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008
Percentual (%) de indivíduos com idade entre 15 e 54 anos sexualmente ativos, segundo o uso de preservativo, em 2004 e 2008
Indicador 2004 2008
Na primeira relação sexual (15 a 24 anos) 53,2 60,9
Na última relação sexual dos últimos 12 meses 38,4 36,8
Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses 67 59,9
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com qualquer parceiro 25,3 21,5
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos 24,9 20,3
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais 51,5 46,5
Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 54 anos de idade, 2004; Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008
PARCERIAS FIXAS E CASUAIS – Pela primeira vez, a PCAP analisou a ocorrência das relações casuais no mesmo período das relações fixas. De acordo com a pesquisa, 16% dos brasileiros traem – dos 43,9 milhões que viviam com companheiros (as), 7,1 milhões tiveram parceiros (as) eventuais, no mesmo período. São os homens os que mais traem: 21% (4,7 milhões). Já para as mulheres, esse índice é de 11% (1,8 milhão).
A pesquisa analisou também o uso do preservativo nas parcerias casuais fora da relação estável. O uso nessa situação é baixo. 63% não adotaram preservativo em todas as vezes que fizeram sexo com parceiro eventual. Entre os homens, o índice é de 57% e entre as mulheres 75%.
Parcerias casuais de quem vive com companheiros no último ano (em %)
% N
Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total
Dentre os sexualmente ativos no ano
Vivem com companheiro 63% 68% 66% 21.888.461 21.985.459 43.873.920
Têm parceiro casual e vivem com companheiro 21% 11% 16% 4.673.452 2.404.832 7.078.284
Não usou preservativo em todas as relações casuais 57% 75% 63% 2.652.805 1.798.108 4.450.913
Não usou preservativo na última relação casual 49% 68% 56% 2.291.572 1.632.638 3.924.210
Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008
O QUE PROMOVE O USO DO PRESERVATIVO – O Departamento de DST e Aids – responsável pelo estudo – criou um modelo estatístico para analisar as informações da pesquisa e identificou quais são os principais fatores que impactam a adoção do preservativo. Gênero, acesso gratuito à camisinha e quantidade de parcerias casuais são as características mais importantes:
– Homens têm 40% mais chance de usar camisinha que as mulheres;
– Quanto mais jovem, maior a probabilidade de uso de preservativo (a cada ano, diminui 1% a chance de o indivíduo usar preservativo);
– Quem teve mais de cinco parceiros casuais nos últimos 12 meses tem quase duas vezes mais chance de usar que os que não tiveram;
– Quem já pegou preservativo de graça tem duas vezes mais chance de usar que aqueles que nunca pegaram.
A divisão por sexo mostra que alguns fatores têm impacto diferenciado sobre homens e mulheres. Entre eles, os “solteiros” têm quase quatro vezes mais chance de usar a camisinha que os com relações estáveis; os que já pegaram preservativo de graça têm 80% mais chance de usar que os que nunca pegaram. Entre as mulheres, as “solteiras” têm mais que o dobro de chance de usar que as “casadas”. As que já pegaram preservativo de graça têm mais que o dobro de chance de fazer sexo seguro que as que nunca pegaram.
Indicadores 15-24 25-49 50-64 15-64
Serviço de saúde 37,7 27,0 10,7 27,2
ONG 7,8 5,6 2,7 5,7
Escolas (dentre os que estudavam) 16,5 - - -
Pegou preservativo de graça pelo menos uma vez nos últimos 12 meses 41,4 28,6 11,6 29,2
Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008
METODOLOGIA
A Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST e Aids na População Brasileira de 15 a 64 anos foi realizada por técnicos do Ibope em todas as regiões do país em novembro de 2008, com 8 mil entrevistados. A amostragem foi estratificada por macrorregião geográfica (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste) e situação urbano/rural. As características sociodemográficas apresentadas na pesquisa se assemelham às do Censo do IBGE: quase 49% eram homens; 53,3% tinham entre 25 e 49 anos; 42,6% tinham o nível de escolaridade fundamental completo; 46,3% declarou sua cor ou raça como parda e 38,9% como branca; em torno de 57% vivia com companheiro; 48,5% pertenciam à classe econômica C; quase 7% residiam na região Norte, 26,7% no Nordeste, 44,4% no Sudeste, 15,2% no Sul e 7% na região Centro-Oeste; grau de urbanização foi de quase 83%. A análise dos dados foi feita pela equipe técnica do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde, com o apoio do Centro de Informação Científica e Tecnológica (LIS/CICT) da Fundação Oswaldo Cruz.
Mais informações à imprensa
Departamento de DST e Aids
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MS divulga retrato do comportamento sexual do brasileiro
Foram realizadas 8 mil entrevistas com homens e mulheres entre 15 e 64 anos. A análise das informações auxiliará na execução e na avaliação da política para a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis
O Ministério da Saúde acaba de concluir a maior pesquisa já realizada sobre comportamento sexual do brasileiro. Entre os meses de setembro e novembro de 2008, pesquisadores percorreram as cinco regiões do país para fazer 8 mil entrevistas com homens e mulheres entre 15 e 64 anos. A análise das informações auxiliará na execução e na avaliação da política para a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com o estudo, 77% dessa população (66,7 milhões) teve relações sexuais nos 12 meses que antecederam a pesquisa.
“Uma coisa nova, que surge, é a Internet como espaço de encontro, o que vai exigir do governo novas estratégias, novas abordagens para lidar com essa realidade”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na apresentação do estudo, que contou com a participação do secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, e da diretora do Departamento de DST/Aids do Ministério, Mariângela Simão. “Em sites de relacionamento, orkut, blogs e outros espaços na rede mundial de computadores o Ministério vai ter de entrar e levar informações, discutir, entrar em debates. Qual é a informação central? Não pode haver relacionamento sem uso de preservativo. O preservativo é a maneira mais segura de se prevenir a infecção com o vírus HIV”.
Temporão salientou que, a cada ano, há 33 mil novos casos de HIV no Brasil. “Um estudo recente mostra que, a cada dois casos diagnosticados que iniciaram o tratamento, existem cinco outros que não foram ainda diagnosticados”, observou, alertando sobre as mudanças de comportamento visualizadas a partir da pesquisa.
As principais diferenças de comportamento estão entre homens e mulheres. Entre eles, 13,2% tiveram mais de cinco parceiros casuais no ano anterior à pesquisa; entre elas, esse índice é três vezes menor (4,1%). 10% deles tiveram, pelo menos, um parceiro do mesmo sexo na vida, enquanto só 5,2% delas já fizeram sexo com outras mulheres. A vida sexual deles também começa mais cedo – 36,9% deles tiveram relações sexuais antes dos 15 anos; entre elas esse índice cai para menos da metade, 17%. A pesquisa traz ainda recortes por escolaridade e região. Nesses dois casos, não há diferenças estatísticas relevantes.
“Temos de redobrar a disseminação de informação, a educação, a disponibilização gratuita de preservativos. O Ministério está comprando um bilhão de camisinhas, neste momento, para ampliar o acesso”, pontuou o ministro, sobre a prevenção ao HIV. “A pesquisa já levanta o alerta de que principalmente os mais jovens estão usando, e as pessoas de mais idade estão usando menos. Evidentemente, toda essa informação apurada a partir da pesquisa é um material fundamental para o Ministério poder rever suas políticas e suas estratégias no enfrentamento da doença”.
Temporão defendeu, ainda, que não se banalize a doença. “Isso é um risco sempre presente. À medida em que você avança e conquista um patamar diferenciado no tratamento, com o uso do coquetel – o que melhora profundamente não só a sobrevida como a qualidade de vida –, há sempre um risco de banalização, de se pensar que essa doença é tratável e que basta tomar o remédio e está tudo bem”, disse o ministro. “Isso não é verdade. Nós sabemos que é muito melhor viver sem a doença do que com a doença”.
Indicadores de comportamento sexual da população
sexualmente ativa entre 15 e 64 anos, por sexo (em%)
Indicador Homens Mulheres Total
Relações sexuais nos últimos 12 meses 81 73,7 77,3
Relações sexuais antes dos 15 anos 36,9 17 26,8
Mais de 10 parceiros na vida 40,1 10,9 25,3
Mais de 5 parceiros casuais no último ano 13,2 4,1 8,8
Relação sexual com pessoa do mesmo sexo, na vida 10 5,2 7,6
Pelo menos um parceiro fixo nos últimos 12 meses 84,2 89 86,5
Pelo menos um parceiro casual nos últimos 12 meses 36,8 18,5 27,9
Pelo menos um parceiro que conheceu pela internet nos últimos 12 meses 10,3 4,1 7,3
Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008
SEXO PROTEGIDO – A pesquisa constatou ainda que quase metade da população (45,7%) faz uso consistente do preservativo com seus parceiros casuais (usou em todas as relações eventuais nos últimos 12 meses). As principais diferenças estão entre homens e mulheres e por faixa etária. Homens usam mais preservativos que as mulheres em todas as situações. Os jovens são os que mais fazem sexo protegido em relação aos mais velhos (veja texto anexo). A análise dos dados com recorte de região e de escolaridade não mostra diferenças significativas.
Uso do preservativo na população sexualmente ativa entre
15 e 64 anos, por sexo (em%)
Uso do preservativo Homens Mulheres Total
Na primeira relação sexual (15 a 24 anos) 63,8 57,6 60,9
Na última relação sexual dos últimos 12 meses 40,2 29,7 35,1
Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses 65,1 45,5 58,8
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos 21,5 17,3 19,4
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais 51,0 34,6 45,7
Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008.
Uso do preservativo na população sexualmente ativa
entre 15 e 64 anos, segundo faixa etária, em 2008 (em%)
Uso de preservativo 15-24 25-49 50-64 15-64 (Total)
Na primeira relação sexual (15 a 24 anos) 60,9 - - 60,9
Na última relação sexual dos últimos 12 meses 55,0 30,2 16,4 35,1
Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses 67,8 54,4 37,9 58,8
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com qualquer parceiro 32,6 17,2 10,5 20,6
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos 30,7 16,6 10,0 19,4
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais 49,6 44,6 32,0 45,7
Fonte: Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos, 2008
INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO – A população brasileira possui um elevado índice de conhecimento sobre as formas de infecção e de prevenção da aids – mais de 95% da população sabe que o uso do preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV. O conhecimento é maior entre pessoas de maior escolaridade. Mas mesmo entre aqueles com primário incompleto, o preservativo é bastante conhecido. Além disso, 90% dos brasileiros afirmaram saber que a aids ainda não tem cura. Não há diferenças relevantes sobre o conhecimento entre as regiões nem entre os sexos.
Percentual (%) de indivíduos com idade entre 15 e 64 anos, com conhecimento correto sobre as formas de transmissão do HIV, por escolaridade. Brasil, 2008
Formas de transmissão Primário Incompleto Primário Completo e Fundamental Incompleto Fundamental Completo Total
Sabe que uma pessoa com aparência saudável pode estar infectado pelo HIV 81,2 91,6 96,6 92,0
Acha que ter parceiro fiel e não infectado reduz o risco de transmissão do HIV 78,6 81,5 80,2 80,5
Sabe que o uso de preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV 95,2 96,9 96,9 96,6
Sabe que pode ser infectado ao compartilhar de seringa 85,1 88,6 96,0 91,2
Sabe que pode ser infectado nas relações sexuais sem preservativo 92,2 95,9 96,8 95,7
Sabe que não que existe cura para a aids 90,6 93,1 95,3 93,6
Fonte: Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos, 2008
Esse é um dos índices mais elevados do mundo. Pesquisa realizada em 64 países indicou que 40% dos homens e 38% das mulheres de 15 a 24 anos tinham conhecimento exato sobre como evitar a transmissão do HIV. Além disso, dados do relatório da Assembléia Geral das Nações Unidas em HIV/Aids (UNGASS) de 2008 apontam que, no mundo, há diferenças importantes entre os sexos: pouco mais de 70% dos homens jovens sabem que usar preservativo é uma estratégia de prevenção eficaz contra a transmissão do HIV. Entre as mulheres, são apenas 55%.
MAIS EXPOSTOS – A comparação dos resultados da PCAP 2008 com os da mesma pesquisa realizada em 2004 acenderam o alerta para o Ministério da Saúde. O brasileiro tem feito mais sexo casual. Em 2004, 4% das pessoas haviam tido mais de cinco parceiros casuais no ano anterior. Em 2008, esse índice foi mais que o dobro, passando para 9,3%. Ao lado disso, o conhecimento sobre os riscos de se infectar com o HIV e sobre as formas de prevenção continuam altos. Mesmo assim, a pesquisa identificou uma tendência queda no uso do preservativo. Passou de 51,6% em todas as parcerias eventuais, em 2004, para 46,5% em 2008.
Indicadores de comportamento sexual da
população sexualmente ativa, em 2004 e 2008 (em %)
Indicador 2004 2008
Relações sexuais nos últimos 12 meses 81,4 79,0
Relações sexuais antes dos 15 anos 25,2 27,7
Mais de 10 parceiros na vida 19,3 25,9
Mais de 5 parceiros casuais no último ano 4,0 9,3
Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 54 anos de idade, 2004; Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008
Percentual (%) de indivíduos com idade entre 15 e 54 anos sexualmente ativos, segundo o uso de preservativo, em 2004 e 2008
Indicador 2004 2008
Na primeira relação sexual (15 a 24 anos) 53,2 60,9
Na última relação sexual dos últimos 12 meses 38,4 36,8
Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses 67 59,9
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com qualquer parceiro 25,3 21,5
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos 24,9 20,3
Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais 51,5 46,5
Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 54 anos de idade, 2004; Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008
PARCERIAS FIXAS E CASUAIS – Pela primeira vez, a PCAP analisou a ocorrência das relações casuais no mesmo período das relações fixas. De acordo com a pesquisa, 16% dos brasileiros traem – dos 43,9 milhões que viviam com companheiros (as), 7,1 milhões tiveram parceiros (as) eventuais, no mesmo período. São os homens os que mais traem: 21% (4,7 milhões). Já para as mulheres, esse índice é de 11% (1,8 milhão).
A pesquisa analisou também o uso do preservativo nas parcerias casuais fora da relação estável. O uso nessa situação é baixo. 63% não adotaram preservativo em todas as vezes que fizeram sexo com parceiro eventual. Entre os homens, o índice é de 57% e entre as mulheres 75%.
Parcerias casuais de quem vive com companheiros no último ano (em %)
% N
Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total
Dentre os sexualmente ativos no ano
Vivem com companheiro 63% 68% 66% 21.888.461 21.985.459 43.873.920
Têm parceiro casual e vivem com companheiro 21% 11% 16% 4.673.452 2.404.832 7.078.284
Não usou preservativo em todas as relações casuais 57% 75% 63% 2.652.805 1.798.108 4.450.913
Não usou preservativo na última relação casual 49% 68% 56% 2.291.572 1.632.638 3.924.210
Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008
O QUE PROMOVE O USO DO PRESERVATIVO – O Departamento de DST e Aids – responsável pelo estudo – criou um modelo estatístico para analisar as informações da pesquisa e identificou quais são os principais fatores que impactam a adoção do preservativo. Gênero, acesso gratuito à camisinha e quantidade de parcerias casuais são as características mais importantes:
– Homens têm 40% mais chance de usar camisinha que as mulheres;
– Quanto mais jovem, maior a probabilidade de uso de preservativo (a cada ano, diminui 1% a chance de o indivíduo usar preservativo);
– Quem teve mais de cinco parceiros casuais nos últimos 12 meses tem quase duas vezes mais chance de usar que os que não tiveram;
– Quem já pegou preservativo de graça tem duas vezes mais chance de usar que aqueles que nunca pegaram.
A divisão por sexo mostra que alguns fatores têm impacto diferenciado sobre homens e mulheres. Entre eles, os “solteiros” têm quase quatro vezes mais chance de usar a camisinha que os com relações estáveis; os que já pegaram preservativo de graça têm 80% mais chance de usar que os que nunca pegaram. Entre as mulheres, as “solteiras” têm mais que o dobro de chance de usar que as “casadas”. As que já pegaram preservativo de graça têm mais que o dobro de chance de fazer sexo seguro que as que nunca pegaram.
Indicadores 15-24 25-49 50-64 15-64
Serviço de saúde 37,7 27,0 10,7 27,2
ONG 7,8 5,6 2,7 5,7
Escolas (dentre os que estudavam) 16,5 - - -
Pegou preservativo de graça pelo menos uma vez nos últimos 12 meses 41,4 28,6 11,6 29,2
Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008
METODOLOGIA
A Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST e Aids na População Brasileira de 15 a 64 anos foi realizada por técnicos do Ibope em todas as regiões do país em novembro de 2008, com 8 mil entrevistados. A amostragem foi estratificada por macrorregião geográfica (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste) e situação urbano/rural. As características sociodemográficas apresentadas na pesquisa se assemelham às do Censo do IBGE: quase 49% eram homens; 53,3% tinham entre 25 e 49 anos; 42,6% tinham o nível de escolaridade fundamental completo; 46,3% declarou sua cor ou raça como parda e 38,9% como branca; em torno de 57% vivia com companheiro; 48,5% pertenciam à classe econômica C; quase 7% residiam na região Norte, 26,7% no Nordeste, 44,4% no Sudeste, 15,2% no Sul e 7% na região Centro-Oeste; grau de urbanização foi de quase 83%. A análise dos dados foi feita pela equipe técnica do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde, com o apoio do Centro de Informação Científica e Tecnológica (LIS/CICT) da Fundação Oswaldo Cruz.
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sexta-feira, 5 de junho de 2009
Ministério da Saúde e UNODC firmam protocolo de intenções para prevenção e tratamento ao uso nocivo de álcool e outras drogas
Ministério da Saúde e UNODC firmam protocolo de intenções para prevenção e tratamento ao uso nocivo de álcool e outras drogas
Iniciativa faz parte de um plano emergencial que prevê R$ 117,3 milhões em ações de prevenção e tratamento em 108 municípios brasileiros
Brasília, 04 de junho de 2009 - O ministro da Saúde do Brasil, José Gomes Temporão e o representante regional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), Giovanni Quaglia, assinaram nesta quinta-feira (4) um protocolo de intenções com o objetivo de elaborar e executar o Projeto "Atenção Integral a Crianças e Jovens em situação de Vulnerabilidade e Risco para a Violência e o Uso de Álcool e outras Drogas". O projeto prevê investimentos da ordem de R$ 6 milhões em cooperação técnica entre o ministério e o UNODC para fortalecimento institucional e qualificação da gestão e das redes de atenção em saúde mental, especialmente para o atendimento a crianças e jovens usuários de álcool e outras drogas e em situação de vulnerabilidade social.
A cerimônia de assinatura do protocolo contou com a presença do General Paulo Roberto Uchoa, Secretário Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), do ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, da Secretária Executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Arlete Sampaio e do Secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Junior, importantes parceiros na realização do projeto.
A cooperação entre o UNODC e o Ministério da Saúde faz parte do Plano Emergencial de Ampliação do Acesso ao Tratamento e Prevenção em Álcool e outras Drogas (PEAD 2009-2010). Liderada pelo ministério da Saúde, o Plano é uma ação interministerial com investimentos de R$ 117,3 milhões a serem aplicados na ampliação do acesso às ações de prevenção e tratamento ao uso nocivo de álcool e outras drogas na rede de atenção mental ao Sistema Único de Saúde (SUS) até dezembro de 2010.
Em um primeiro momento, as ações do PEAD serão direcionadas aos 100 maiores municípios brasileiros, além de Palmas, capital do Tocantins, e de sete municípios de fronteira - Uruguaiana (RS), Santana do Livramento (RS), Corumbá (MS), Ponta Porã (MS), Tabatinga (AM), São Gabriel da Cachoeira (AM) e Guajará Mirim (RO), escolhidos por serem regiões de rota de tráfico e, consequentemente, apresentarem altos índices de abuso de drogas. O PEAD prevê aumento de 194% no número de leitos de saúde em hospitais gerais; a criação de 720 novos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF); e a implantação de 92 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em todo o território nacional.
De acordo com o ministro Temporão, com esse plano emergencial, a Saúde chama para si a responsabilidade de lidar com um problema social que é decorrente de fatores estruturais, que produzem vulnerabilidade e que, por isso, não deve ser abordado apenas no aspecto de delinqüência, da exclusão e do preconceito. "Por essa razão o norte ético do projeto é cuidar sim, excluir jamais", disse o ministro.
O representante regional do UNODC, Giovanni Quaglia, destacou a importância de o PEAD ser uma resposta integrada à questão das drogas, englobando diversos ministérios e também os atores estaduais e municipais.
Quaglia ressaltou que, além de reduzir o tráfico e os focos produtores e consumidores de drogas, é fundamental uma abordagem da saúde ao tema, principalmente no que se refere a adolescentes e jovens. "Como disse recentemente o ministro da Justiça, Tarso Genro, a fronteira do enfrentamento às drogas está na comunidade", afirmou o representante do UNODC. Quaglia disse ainda que a experiência do Brasil pode servir como modelo a ser adotado em outros países, dentro de um modelo de cooperação sul-sul.
O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, sublinhou a perspectiva dos direitos humanos nessa questão, ressaltando a importância da luta antimanicomial, da discussão sobre a priorização da medicação no tratamento a portadores de sofrimento mental e do processo de mudança no paradigma da abordagem as drogas no país. Ele considera que é preciso lutar contra o estigma e o preconceito e focar na educação em direitos humanos como parte da política de prevenção ao abuso do álcool e outras drogas, independentemente do status legal de cada substância.
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Iniciativa faz parte de um plano emergencial que prevê R$ 117,3 milhões em ações de prevenção e tratamento em 108 municípios brasileiros
Brasília, 04 de junho de 2009 - O ministro da Saúde do Brasil, José Gomes Temporão e o representante regional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), Giovanni Quaglia, assinaram nesta quinta-feira (4) um protocolo de intenções com o objetivo de elaborar e executar o Projeto "Atenção Integral a Crianças e Jovens em situação de Vulnerabilidade e Risco para a Violência e o Uso de Álcool e outras Drogas". O projeto prevê investimentos da ordem de R$ 6 milhões em cooperação técnica entre o ministério e o UNODC para fortalecimento institucional e qualificação da gestão e das redes de atenção em saúde mental, especialmente para o atendimento a crianças e jovens usuários de álcool e outras drogas e em situação de vulnerabilidade social.
A cerimônia de assinatura do protocolo contou com a presença do General Paulo Roberto Uchoa, Secretário Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), do ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, da Secretária Executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Arlete Sampaio e do Secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Junior, importantes parceiros na realização do projeto.
A cooperação entre o UNODC e o Ministério da Saúde faz parte do Plano Emergencial de Ampliação do Acesso ao Tratamento e Prevenção em Álcool e outras Drogas (PEAD 2009-2010). Liderada pelo ministério da Saúde, o Plano é uma ação interministerial com investimentos de R$ 117,3 milhões a serem aplicados na ampliação do acesso às ações de prevenção e tratamento ao uso nocivo de álcool e outras drogas na rede de atenção mental ao Sistema Único de Saúde (SUS) até dezembro de 2010.
Em um primeiro momento, as ações do PEAD serão direcionadas aos 100 maiores municípios brasileiros, além de Palmas, capital do Tocantins, e de sete municípios de fronteira - Uruguaiana (RS), Santana do Livramento (RS), Corumbá (MS), Ponta Porã (MS), Tabatinga (AM), São Gabriel da Cachoeira (AM) e Guajará Mirim (RO), escolhidos por serem regiões de rota de tráfico e, consequentemente, apresentarem altos índices de abuso de drogas. O PEAD prevê aumento de 194% no número de leitos de saúde em hospitais gerais; a criação de 720 novos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF); e a implantação de 92 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em todo o território nacional.
De acordo com o ministro Temporão, com esse plano emergencial, a Saúde chama para si a responsabilidade de lidar com um problema social que é decorrente de fatores estruturais, que produzem vulnerabilidade e que, por isso, não deve ser abordado apenas no aspecto de delinqüência, da exclusão e do preconceito. "Por essa razão o norte ético do projeto é cuidar sim, excluir jamais", disse o ministro.
O representante regional do UNODC, Giovanni Quaglia, destacou a importância de o PEAD ser uma resposta integrada à questão das drogas, englobando diversos ministérios e também os atores estaduais e municipais.
Quaglia ressaltou que, além de reduzir o tráfico e os focos produtores e consumidores de drogas, é fundamental uma abordagem da saúde ao tema, principalmente no que se refere a adolescentes e jovens. "Como disse recentemente o ministro da Justiça, Tarso Genro, a fronteira do enfrentamento às drogas está na comunidade", afirmou o representante do UNODC. Quaglia disse ainda que a experiência do Brasil pode servir como modelo a ser adotado em outros países, dentro de um modelo de cooperação sul-sul.
O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, sublinhou a perspectiva dos direitos humanos nessa questão, ressaltando a importância da luta antimanicomial, da discussão sobre a priorização da medicação no tratamento a portadores de sofrimento mental e do processo de mudança no paradigma da abordagem as drogas no país. Ele considera que é preciso lutar contra o estigma e o preconceito e focar na educação em direitos humanos como parte da política de prevenção ao abuso do álcool e outras drogas, independentemente do status legal de cada substância.
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