sábado, 20 de junho de 2009

Preservativo faz parte do universo de geração que vive o medo do HIV

Preservativo faz parte do universo de geração que vive o medo do HIV
João Pequeno, Jornal do Brasil


RIO DE JANEIRO - Números do Ministério da Saúde que mostram uso mais frequente de preservativo nas relações sexuais pelos jovens refletem, entre outros fatores, o mundo em que cresceram, com informação constante sobre o vírus HIV. Ao todo, 32,7% dos entrevistados de 15 a 24 anos disseram ter usado camisinha em todas as relações sexuais nos últimos 12 meses, contra 17,2% de 25 a 49 anos e 10,5% de 50 a 64. Mas fatores como relacionamentos fixos ainda motivam o sexo desprotegido.

A Aids despontava nas preocupações mundiais por volta de 1984, ano em que nasceu a estudante de museologia Beatriz Albuquerque. Aos 25 anos, completados em abril, ela ainda estava na faixa mais jovem analisada pelo ministério quando teve a relação sexual mais recente, com seu ex.

O rompimento, além do namoro, acabou com a confiança estabelecida em dois anos de relação que a levaram a abrir mão da camisinha algumas vezes.

– Com o tempo, a gente forma uma confiança que acaba junto com o namoro. Aí, todos os medos vêm de uma vez só – lembra Beatriz, que fez teste de HIV e “deu tudo certo”. – Também temi engravidar, mesmo tomando pílula – acrescenta.

Além da Aids, Beatriz pensa em outras doenças, mais comentadas recentemente, segundo ela.

– Minha geração mudou. Antigamente, só se falava em HIV; hoje, acho que as mulheres já estão mais conscientes sobre outros riscos, como o HPV (vírus que aumenta o risco de câncer) – avalia.

Há 10 anos, a estudante de museologia tinha aula de educação sexual na escola, mas aprendeu mesmo sobre prevenção com as amigas – e as mães das amigas.

– Era normal ouvir que “a filha de fulano teve neném”. A gente via adolescentes de 15, 16 anos, como nós, engravidando e sentia que precisava se proteger.

Uma conhecida, que engravidou aos 16, serviu de exemplo do que Beatriz não queria para si:

– Ela acabou saindo do ciclo de amizades, porque nunca podia sair para os mesmos lugares, além de ter se atrasado nos estudos – lembra.

Para o programador de internet Rodrigo Sousa, 23, usar preservativo virou “um hábito tão grande, que já não consigo me comportar de outra forma”. Foi assim desde a primeira vez, aos 16 anos, quando, para driblar a clássica dificuldade de homens inexperientes com a camisinha, treinou antes.

– Praticava sozinho antes de usar “para valer” – lembra Rodrigo, assumindo que esse reflexo condicionado entre sexo e preservativo também pode falhar.

– Fiquei com uma menina numa festa e não tinha nenhuma camisinha, nem condição de sair para comprar, lá na Barra da Tijuca, onde tudo é longe. Depois (da relação sexual), veio o medo. Quem está acostumado a se sentir seguro, protegido, como eu, quando não está, acaba ficando muito mais grilado – diz Rodrigo que, por via das dúvidas, fez teste de HIV (“Tudo OK”) e passou a sempre levar camisinha para casos de situações similares.

A pesquisa também apontou que 10,3% dos homens fizeram sexo nos últimos 12 meses com pessoas que conheceram na internet – mais que o dobro das mulheres (4,1%), diferença que traduz um fenômeno comum entre os gays.

R.F., que em salas de bate-papo usa o pseudônimo Bochecha Marrom, diz que “na internet rola de tudo, inclusive homens casados, que querem ser passivos” e que é “muito objetivo”.

– Eu marco com o cara e, se um gostar do outro, vamos logo para o motel – resume, ponderando que se previne. – Só rola se ele usar preservativo.

Colaborou Camilla Lopes



22:25 - 18/06/2009

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