terça-feira, 21 de abril de 2009

Consumo de crack desafia autoridades e população

Consumo de crack desafia autoridades e população
O Jornal Hoje mostra flagrantes de jovens que consomem drogas no RJ e em SP.As imagens chamam a atenção para um dos maiores desafios do país: reprimir o tráfico e proteger milhares de jovens do vício.
César Galvão - São Paulo



O prefeito e a polícia saíram cedo para mostrar o combate ao crack na favela do Jacarezinho, no Rio. O caminho estava cheio de jovens pessoas que passaram a noite consumindo drogas. Às sete da manhã adolescentes fumavam maconha. Elas dizem que antes moravam em barracos debaixo do viaduto, destruídos pela prefeitura há duas semanas. Uma menina de 14 anos fica com uma pedra na mão para se defender de quem chega perto. A repórter Karina Borges consegue se aproximar e descobre que ela se prostitui só para comprar crack. “Usa todo dia, até morrer. Sou viciada desde oito anos de idade”, diz. Outra adolescente fez 18 anos. Há nove vive na rua. “Comecei no tiner, cola e agora o crack. Gasto muito dinheiro, mais de R$ 200”. Entre elas há uma grávida que também fuma crack. “Não sei de quanto tempo estou grávida. E também não sei de quem estou grávida”, diz ela.

Em São Paulo o problema é mais antigo. O crack é a droga mais consumida no centro da cidade. Traficantes e consumidores vivem em áreas comerciais. No feriado, quando as lojas não abrem, é possível ver a quantidade de dependentes espalhados pela rua. Na região conhecida como Cracolândia, a polícia cerca as ruas. Revista cada um que está na calçada, mas não encontra drogas. Por isso todos são liberados.

“Infelizmente a gente é obrigado a conviver. Eles trancam a rua, você não tem nem condições de andar na calçada”, declara Jeremias Estevez, morador. Ontem, na mesma rua, flagramos o consumo de crack nas mesmas calçadas. Crianças, adolescentes e adultos fumam crack durante todo o dia. A PM passa o tempo à procura dos traficantes, mas diz que o combate ao crack depende de ações sociais. A prefeitura de São Paulo fechou hotéis, bares e tenta revitalizar o espaço dominado pelo crack. Enquanto não consegue, o problema de saúde pública aumenta.

Um psiquiatra participa de um programa da Universidade Federal de São Paulo contra as drogas. Segundo ele, de cada dez viciados, no máximo três conseguem se recuperar. “Num indivíduo normal a área vermelha é bem distribuída (mostra as imagens) e já em um dependente de crack a distribuição é mais irregular, não chega tanto fluxo sanguíneo. A conseqüência é que no decorrer de um tempo de uso este individuo vai ter problemas de raciocínio, de concentração e será mais impulsivo”, comenta Marcelo Niel, psiquiatra UNIFESP.

A assessoria do prefeito do Rio, Eduardo Paes, informou que a ação de assistentes sociais é constante, mas, como os menores não são obrigados a ficar internados, acabam voltando para as ruas. A prefeitura de São Paulo informou que faz um trabalho permanente na região da nova luz, mas ressaltou que os encaminhamentos para tratamento não podem ser feitos sob coação.

observação do blog:

no link do jornal postado acima é possivel assitir a reportagem.
expressões como viciados, drogados ferem também a dignidade das pessoas.

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